A Health Canada, responsável por avaliar a segurança e o valor nutricional de alimentos no Canadá, aprovou em 28 de março o açúcar produzido a partir de cana geneticamente modificada (GM). De acordo com o órgão canadense, o açúcar proveniente da variedade transgênica brasileira é tão seguro e nutritivo quanto os provenientes das plantas não modificadas. A cana transgênica avaliada é resistente à broca da cana (Diatraea saccharalis). Essa praga causa perdas estimadas em 5 bilhões de reais por ano.


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O gene utilizado para a transformação genética vem da bactéria do solo Bacillus thuringiensis (Bt). Esse microrganismo tem uma longa história de uso seguro na agricultura global. A tecnologia Bt já figura há mais de 20 anos em outras culturas transgênicas como a soja, o milho e o algodão. Além disso, formulações à base de Bt são usadas há muito tempo em bioinseticidas, inclusive, na agricultura orgânica.

A aprovação canadense reforça a conclusão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A Comissão brasileira reconheceu a segurança dessa cana transgênica e aprovou seu uso comercial em junho de 2017. A Health Canada é responsável por estabelecer políticas e padrões de segurança alimentar e valor nutricional de alimentos no Canadá. Além disso, atua na promoção da saúde e do bem-estar dos cidadãos por meio de políticas baseadas em evidências científicas.

O açúcar, a cana e os 12 anos de bt no Brasil

A adoção do primeiro algodão Bt no Brasil ocorreu em 2006 (nos Estados Unidos, foi em 2002), seguida pelo primeiro milho Bt, em 2008 (nos EUA, isso aconteceu em 1995), e em 2013 foi plantada a primeira soja Bt. Em junho de 2017, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou para uso comercial a primeira cana-de-açúcar transgênica do mundo, que também é Bt. Ela será utilizada para os mesmos fins das variedades convencionais, como produção de açúcar e etanol. A expectativa é que seu uso viabilize a expansão da cultura em áreas onde a broca-da-cana é uma condição limitante. Isso pode contribuir para a manutenção da posição do Brasil como líder mundial na produção de cana, açúcar e etanol.

Fonte: CTC, março de 2018