Um grupo internacional de cientistas, do qual fazem parte pesquisadores brasileiros da Embrapa, conseguiu expressar em plantas de arroz transgênico um anticorpo que neutraliza o vírus HIV, causador da AIDS. O estudo foi publicado na edição de abril da revista científica Plant Biotechnology Journal.

Arroz anticorpo 2G12O DNA do arroz foi modificado por biobalística, método em que células do vegetal são bombardeados em alta velocidade (1.500 km/h) com microprojéteis de ouro ou tungstênio contendo o gene que sintetiza a proteína de interesse. Nesse caso, trata-se do anticorpo 2G12 (normalmente produzido em células de mamíferos, cultivadas em tanques de fermentação), capaz de deixar o vírus mais vulnerável para o nosso sistema imunológico combatê-lo.

O método utilizando plantas e cereais pode reduzir o custo da produção dos anticorpos em quase 96%, permitindo a extração de grandes quantidades do 2G12 por meio do cultivo de plantas transgênicas em estufas e em ambientes de confinamento. O anticorpo seria usado para o desenvolvimento de um gel com propriedades viricidas a ser aplicado antes da relação sexual. Para concretizar esta etapa, a parceria com indústrias farmacêuticas é fundamental.

Segundo o pesquisador da Embrapa e conselheiro do CIB, Elíbio Rech, as plantas geneticamente modificadas (GM) são biofábricas economicamente viáveis para a produção de compostos que podem ser usados em medicamentos. “Sementes de cereais como o arroz são particularmente de interesse, pois permitem a produção de proteínas farmacêuticas em larga escala”, afirma Rech.

Fonte: Plant Biotechnology Journal, Abril de 2015