Apenas três meses após a soltura de mosquitos Aedes aegypti transgênicos, modificados geneticamente para conter a transmissão da dengue, a avaliação é de que o experimento pode diminuir drasticamente os casos da doença no Brasil. Os resultados dos primeiros testes, apresentados pela empresa Oxitec, parceira da prefeitura de Piracicaba (SP) no projeto chamado Aedes do Bem, apontam que a cada 100 ovos recuperados na região em que os insetos foram soltos, ao menos 70 não devem sobreviver até a fase adulta funcional.

Imagem de Aedes aegyptiA produção artificial do Aedes aegypti macho (que não pica e, portanto, não transmite a doença) tem como objetivo fazer os insetos alterados copularem com as fêmeas que estão na natureza, transferindo para os filhotes um gene letal. Criado pelo laboratório inglês Oxitec, o gene alterado no mosquito fabrica em excesso a proteína tTA, que interfere no metabolismo da larva, impedindo a produção de outras proteínas necessárias para a sobrevivência. Como a cópula entre os insetos acontece apenas uma vez, o resultado é que cada mosquito transgênico “neutraliza” uma fêmea de Aedes aegypti, fazendo com que ela perca a capacidade de gerar novos transmissores da doença.

Os resultados efetivos da redução dos mosquitos transmissores só serão divulgados a partir de outubro, no entanto, já é possível afirmar que os OGM foram capazes de eliminar grande parte do vetor da dengue e, se o plano for amplificado, haverá uma redução significativa na população do transmissor.

Redação CIB