Cientistas do Brasil e de outros seis países – EUA, China, Índia, Austrália, Japão e Israel – sequenciaram o genoma de plantas silvestres de amendoim coletadas na Bolívia e Argentina. O mapeamento genético revelou que a espécie de amendoim cultivada hoje é 99.96% similar a seus ancestrais, cultivados pelos povos pré-colombianos. O estudo foi publicado na mais recente edição da revista Nature Genetics, no dia 22 de fevereiro.

AmendoimSegundo o professor da Universidade de Brasília e principal autor do trabalho, David Bertioli, a comparação entre as sequências do genoma do amendoim permite saber como, onde e quando as espécies parentais se uniram para criar a variedade cultivada por agricultores nos dias de hoje. O artigo descreve a trajetória de uma de um amendoim silvestre transportado – muito provavelmente pelos primeiros agricultores da região – para o que é hoje o sudeste da Bolívia. Neste local, cruzou com outra espécie silvestre da região e deu origem ao amendoim moderno.

As sequências genômicas produzidas também vão contribuir para a identificação de genes que conferem resistência ao nematoide das galhas, praga prejudicial à cultura do amendoim. Os milhares de genes que compõem essas sequências estão sendo usados também para identificar marcadores moleculares associados a características de interesse para a pesquisa agropecuária, a exemplo da resistência a doenças fúngicas, da qualidade de óleo e da tolerância à seca.

O resultado do trabalho está disponível para a comunidade científica mundial e sua utilização possibilitará avanços no desenvolvimento de variedades de amendoim mais produtivas e resistentes.

Nature Genetics – Fevereiro de 2016