Cientistas descobriram que em um vulcão isolado nas Ilhas Galápagos, no Equador, há várias tartarugas gigantes com parentesco bem próximo de uma espécie extinta há 150 anos: a Chelonoidis niger. De posse dessa informação, uma equipe de conservacionistas liderada pela Universidade Yale, nos Estados Unidos, fez duas expedições, em 2008 e 2015, para coletar amostras de sangue e realizar uma análise genética em 150 animais. Os resultados apontaram que 65 deles têm alguma ascendência em comum com a C. niger.

Chelonoidis nigerAo todo, 32 tartarugas – sendo 19 delas descendentes da espécie desaparecida, das quais duas parecem ser “puro-sangue” –  foram levadas das encostas do vulcão, situado na Ilha Isabela, para um centro de criação em cativeiro. Segundo o Parque Nacional Galápagos, o programa de reprodução permitirá, nas próximas décadas, que a antiga espécie (provavelmente não 100% “pura”, mas com grande herança da C. niger) repovoe a Ilha Floreana, localizada no sul do arquipélago.

De acordo com os pesquisadores, a extinção da C. niger ocorreu por conta de caçadores de baleias que se alimentavam das tartarugas. Mas esses primeiros colonizadores da região também abandonaram alguns animais vivos perto da Ilha Isabela – último ponto de parada dos navios antes de entrar em mar aberto –, e os que agora foram encontrados por lá compartilham a carga genética dos indivíduos exterminados na Ilha Floreana. Ironicamente, portanto, os mesmos marinhos que mataram as tartarugas acabaram criando, sem intenção, uma oportunidade para que essa espécie “perdida” volte à vida de certa forma.

O naturalista britânico Charles Darwin, autor da teoria da evolução, chegou a documentar a  C. niger em uma de suas viagens a Galápagos no século 19, mas, apenas 15 anos após a visita do cientista, esses animais já estavam extintos. Só nos últimos cem anos, pelo menos quatro espécies de tartarugas gigantes foram dizimadas por conta da caça predatória. E, em 300 anos, todas as populações de tartarugas gigantes diminuíram em mais de 90%. A descoberta, portanto, pode significar dias melhores para a natureza e a biodiversidade terrestre.

Fonte: Redação CIB