2017.02.15.imagem.300x200.site.interna.PlantasCarnivorasAo contrário da maior parte dos vegetais, que recorrem ao solo para se sustentarem, as plantas carnívoras desenvolveram a notável capacidade de, por meio de armadilhas, capturar insetos, aracnídeos e até pequenos anfíbios e répteis para extrair deles os nutrientes de que necessitam. Um novo estudo compara diversas espécies dessas plantas – incluindo a australiana, asiática e americana – e mostra que, apesar de não terem a mesma origem evolutiva, elas encontraram maneiras muito semelhantes de driblar os desafios do meio ambiente.

Para investigar a origem genética e molecular desse comportamento predatório, uma equipe de cientistas da Escola de Medicina da Universidade do Colorado, liderados pelo Dr. Kenji Fukushima, sequenciou o genoma da planta carnívora australiana, a Cephalotus follicularis. Os pesquisadores encontraram mudanças no DNA da espécie que estavam relacionadas a características típicas desses vegetais, a exemplo de estratégias de atração de presas, habilidade para armadilhas e células especializadas em digerir e absorver nutrientes.

A planta australiana tem algumas folhas que se assemelham a jarros ou ânforas, no fundo das quais há um líquido com enzimas digestivas. Atraídos pelas cores e pelo brilho de glândulas situadas nessas “folhas”, as presas caem dentro dessa estrutura e, como a parede interior é escorregadia e possui pelos voltados para baixo, não conseguem sair. As linhagens asiática e americana possuem essas mesmas habilidades, apesar de terem evoluído independentemente. “Esse é um caso de convergência evolutiva, um fenômeno no qual organismos não relacionados desenvolvem formas e funções similares em resposta a desafios ambientais semelhantes”, explica o Dr. Fukushima.

A análise genética dos genomas das plantas traz fortes evidências que cada uma dessas plantas lançou mão das mesmas proteínas ancestrais para criar suas enzimas digestivas, embora isso tenha ocorrido em um intervalo de milhões de anos. Segundo Fukushima, o estudo sugere que há poucos caminhos evolutivos para que um vegetal se torne carnívoro. “Essas plantas tinham genomas distintos e, apesar disso, diante da necessidade de obter nutrientes de fontes animais, elas encontraram a mesma solução”, conclui.

Fonte: Nature, fevereiro de 2017