O estudo conduzido pelo pesquisador francês Gilles-Eric Seralini publicado no dia 19 de setembro na revista Food and Chemical Toxicology tem sido fortemente criticado pela comunidade científica. Especialistas afirmam que a pesquisa contém imprecisões científicas que induzem às conclusões dos autores. A referida pesquisa sugere que ratos alimentados com alimentos geneticamente modificados (GM) morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência que os demais.

O chefe de pesquisas nutricionais da Kings College de Londres, Tom Sanders, diz que é necessário cautela ao avaliar essas conclusões. Segundo ele “a linhagem de ratos que a equipe francesa utilizou sofre de tumores de mama facilmente, especialmente quando recebem comida ilimitadamente, ou milho contaminado por um fungo comum que causa desequilíbrio hormonal, ou apenas devido à idade”.

O cientista da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, Anthony Trewavas, acrescenta que em qualquer estudo, para apresentação de dados estatísticos, deve haver o mesmo número de controles (ratos os que eram alimentados normalmente) e de testes (ratos alimentados com o milho transgênico e com o herbicida). “Havia apenas 20 dos ratos de controle e 80 dos de teste e sem esses controles adicionais estes resultados não têm nenhum valor”.

Além das estatísticas, existem outros problemas?

Sim. Testes como estes já foram feitos antes, com maior rigor, e não se observou nenhum efeito dos alimentos transgênicos sobre a saúde. A equipe francesa alega ser a primeira a testar todo o ciclo de vida do animal. Mas “a maioria dos estudos toxicológicos é terminado no tempo normal de vida dos ratos – dois anos”, diz Sanders. “A imortalidade não é uma alternativa”, completa. O cientista da Universidade de Adelaide, na Austrália, Mark Tester concorda que as conclusões do estudo são precipitadas. “Elas mostram que ratos mais velhos desenvolvem tumores e morrem, isso é tudo o que se pode concluir”.

O professor do Instituto de Pesquisas Rothamsted Maurice Moloney, onde é realizada grande parte dos estudos com transgênicos no Reino Unido, afirma que também há problemas na apresentação das fotos, já que sugerem que os controles nunca desenvolvem tumores. “Se houve um controle que acabou mostrando tipos semelhantes de tumorigênese, como de fato aconteceu, então uma imagem daquele rato também deveria ser mostrada, para que assim pudéssemos ver se existem diferenças qualitativas entre eles.”

Fontes: Forbes, New Scientist e Fundação Antama, 21 de setembro de 2012