Se você vive tentando dormir mais cedo mas sempre acaba indo para a cama altas horas da madrugada, pode ser que a culpa não seja sua, mas da genética. Um estudo publicado na revista científica Cell sugere uma relação entre a Síndrome do Atraso das Fases do Sono (distúrbio que afeta os períodos de alerta e de descanso) e o gene cry1. Uma mutação nele seria a causa da alteração no relógio biológico das pessoas. Nos portadores dessa condição, a programação que diz ao corpo o quando é hora de acordar e de adormecer estaria dessincronizada dos padrões do dia e da noite, levando as mesmas a não sentirem vontade de dormir até as primeiras horas da manhã.

A pesquisa analisou o comportamento de 39 indivíduos com a variante mutante do cry1 e 31 pessoas sem ela. Aqueles que tinham o gene se sentiam sonolentos por mais tempo. Além disso, para os portadores do gene mutante, a metade do horário de sono se dava entre 6 e 8 da manhã, enquanto para os que não possuíam a mutação, a boa noite de descanso estava no meio por volta das 4 da madrugada.

Nosso relógio biológico é regulado por um ciclo diário de produção de duas proteínas: as ativadoras e as inibidoras de atividades celulares. Ao longo do dia, a quantidade de um tipo ou de outro no organismo determina se vamos estar em vigília ou em repouso. O gene cry1 tem as instruções para produzir as proteínas inibidoras e a mutação nele resulta em um funcionamento levemente acima da média.

A Síndrome do Atraso das Fases do Sono (SAFS) afeta cerca de 10% da população. Entretanto, baseado na amostra do estudo, apenas uma a cada 75 pessoas tem a variante do gene cry1. Isso mostra que, quando se trata de comportamento, embora o DNA tenha um papel importante, outros fatores também têm influência.

Fonte: Cell, The Rockfeller University, 6 de abril de 2017