2017.01.26.imagem.300x200.site.interna.GeneticaVenceCancerDuas crianças portadoras de leucemia e submetidas a tratamento celular molecular estão, dois anos depois do início da terapia, sem sinais da doença. As pacientes do Hospital Great Ormond Street, em Londres, que tinham 11 e 16 meses quando recorreram ao procedimento, tinham feito quimioterapia, mas em nenhum dos dois casos houve resposta positiva. Sem opções, os pais das meninas tentaram um novo tratamento, a introdução de linfócitos T editados geneticamente que haviam sido retirados de doadores saudáveis.

Os linfócitos T são células cuja função é reconhecer e atacar corpos estranhos, a exemplo do câncer. Infelizmente, nem sempre os linfócitos T são capazes de destruir tumores, especialmente se estiverem se multiplicando muito rápido. Diversas tentativas de melhorar o desempenho dos linfócitos têm sido feitas e uma das mais bem-sucedidas envolve retirar algumas dessas células do próprio paciente, manipulá-las em laboratório para que atuem melhor, e reintroduzi-las no organismo.

Entretanto, uma das desvantagens dessa abordagem é que geralmente as pessoas precisam que suas próprias células sejam utilizadas. Caso contrário, linfócitos T poderiam identificar as células do paciente como estranhas. O problema é que nem todos têm linfócitos saudáveis disponíveis para o processo. No caso das meninas inglesas, o procedimento foi conduzido com material de um doador. Por meio de uma ferramenta de edição de DNA chamada TALEN (Transcription Activator-Like Effector Nucleases), foi desabilitado o gene que faz com que as células do doador ataquem seu hospedeiro. Com isso, a terapia celular foi bem-sucedida e até o momento as crianças não apresentam sinal de doença.

É importante mencionar que o procedimento foi realizado apenas em duas pacientes e serão necessários mais testes envolvendo um grupo maior de pessoas.

Journal Science Translation Medicine, 26 janeiro de 2017