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Brasil seqüencia DNA de levedura que produz etanol (17/01/2008)

Cientistas brasileiros devem concluir, em breve, o seqüenciamento do genoma da levedura responsável pela fermentação de mais da metade do etanol produzido no Brasil. O trabalho tem aplicação direta na indústria e visa identificar genes importantes para o melhoramento genético de leveduras, incluindo a produção de linhagens transgênicas.

As leveduras são fungos microscópicos que transformam açúcar em álcool, em um processo conhecido como fermentação alcoólica. São elas que, além de fazer crescer o pão, produzem o álcool das cervejas, dos vinhos, das cachaças e qualquer outra bebida alcoólica, assim como o álcool combustível (etanol) de cana-de-açúcar que hoje abastece grande parte dos veículos brasileiros.

Atualmente, o seqüenciamento genético está sendo feito com uma linhagem chamada CAT-1, selecionada ao longo de quase 20 anos de pesquisa por cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com uma empresa de consultoria especializada em fermentação alcoólica e também com a Universidade Standford, na Califórnia, sob a coordenação do pesquisador Boris Stambuk, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

“O Brasil precisa urgentemente de novas linhagens”, diz o especialista Luiz Carlos Basso, da Esalq. “Esperamos que o genoma traga conhecimentos importantes para isso.” Segundo ele, a CAT-1 e a PE-2 (outra linhagem selecionada pelo programa) já são usadas por 150 destilarias, responsáveis por mais de 50% da produção nacional de etanol.

Uma característica importante já foi identificada: a duplicação de genes relacionados à síntese das vitaminas B6 e B1, cruciais para o processo de fermentação, o que pode ser uma das razões pela qual a CAT-1 funciona tão bem para a indústria. A eficiência média do processo de fermentação nas destilarias brasileiras hoje é de 88%. Nas mais eficientes (que já adotaram a CAT-1), o índice chega a 93%, segundo o especialista em fermentação alcoólica, Henrique Amorim. Com os dados revelados pelo genoma a expectativa é que esse número suba ainda mais – até 95%. “Poderemos aumentar a eficiência e diminuir o custo ao mesmo tempo”, aposta Amorim.

Fonte: Paginarural – 3 de janeiro de 2008