A Embrapa anunciou sete novos projetos na área de biotecnologia. Eles devem ter início entre agosto e setembro e tem objetivos bem distintos, que vão de desenvolvimento de feijão resistente à seca até a criação de uma plataforma tecnológica. Confira um resumo dos projetos, de acordo com comunicado da Embrapa.

  • O primeiro projeto aprovado é Expressão de genes envolvidos com a resposta ao estresse hídrico em plantas transgênicas de feijoeiro, liderado por Francisco José Lima Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF). Terá como objetivo a obtenção de plantas transgênicas de feijão tolerantes à seca, por meio da expressão do gene BiP de soja e do gene DREB de mamona. Alternativamente, as plantas de feijão transgênico obtidas com expressão desses dois genes poderão ser tolerantes a outros tipos de estresse vegetal.
  • Plataforma tecnológica para a expressão e produção de proteínas recombinantes em plantas é o nome do segundo projeto aprovado, liderado por Elíbio Rech, também da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A idéia é desenvolver uma plataforma, a partir da parceria entre a Embrapa, o Ludwig Institute for Cancer Research, o New York Branch of Human Câncer Immunology at memorial Sloam-Ketting Cancer Center Research e o National Institute of Health (NIH), que são instituições consideradas referencias nacionais e internacionais na área de clonagem de genes, transgenia, produção de biomoléculas e imunologia. O foco de atuação da plataforma será a expressão e a produção de proteínas recombinantes em plantas de soja e tabaco.
  • A Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) coordenará o terceiro projeto, Fenotipagem, avaliação de mecanismos de tolerância e associação genômica aplicadas ao desenvolvimento de recursos genéticos de cereais adaptados à seca, a partir da liderança do pesquisador Newton Portilho Carneiro. O trabalho terá como objetivo identificar e caracterizar recursos genéticos e mecanismos fisiológicos e moleculares de tolerância à seca em cereais, avaliados em sítios específicos de fenotipagem. O desenvolvimento de cultivares tolerantes às limitações hídricas será uma alternativa sustentável para mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas globais.
  • O estudo do transcritoma do Bicudo do Algodoeiro e da Broca Gigante para avaliação de genes candidatos a silenciamento por RNAi (RNA interferente) é o tema o quarto projeto aprovado. Ele será liderado por Maria de Fátima Grossi de Sá, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que buscará, por meio da transgenia de plantas, com a introdução de proteínas tóxicas, o controle dessas duas importantes pragas para a agropecuária nacional. A estratégia consiste em nocautear irreversivelmente um gene, impedindo que a proteína codificada por ele seja expressa.
  • A estratégia do RNAi também será utilizada no quinto projeto, Desenvolvimento de estratégia baseada em RNAi para geração de mamoeiro resistente a múltiplas viroses. O trabalho será liderado por Francisco José Lima Aragão, também da da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Este projeto visa o desenvolvimento de novas linhagens de mamoeiros resistentes simultaneamente aos vírus da mancha anelar, do amarelo letal e o da meleira (principais doenças da cultura) utilizando a estratégia de RNAi. A produção de cultivares de mamoeiros resistentes à infecção por esses vírus é a opção mais promissora e desejável para ser utilizada em um manejo integrado de pragas.
  • Já o projeto Aperfeiçoamento do sistema de manejo de Diabrotica spp. nas culturas do milho e batata será liderado por Ana Paula Schneid Afonso, da Embrapa Clima Temperado (Pelotas-RS). A Diabrotica speciosa é um inseto-praga que afeta diversas culturas no Brasil e que ocorre praticamente em todos os Estados brasileiros e em vários países da América do Sul. A transferência de genes exógenos para espécies de plantas cultivadas a partir das novas técnicas de engenharia genética propiciou o desenvolvimento de cultivares resistentes a insetos. Os genes para resistência a insetos mais conhecidos e estudados até o momento são os que expressam as proteínas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Embora esta nova tecnologia propicie adequado controle de pragas, sabe-se que se mal manejada pode favorecer (acelerar) o desenvolvimento de populações com resistência aos produtos transgênicos, como ocorre com os produtos biológicos (microbianos) e convencionais (químicos). Neste sentido, é fundamental estabelecer métodos de estudo e manejo para os organismos geneticamente modificados (OGM), como monitorar em laboratório as populações de insetos quanto à suscetibilidade ao produto comercial.
  • O sétimo projeto aprovado foi o de Caracterização morfológica e molecular de populações de Noctuideos e determinação da suscetibilidade a inseticidas e toxinas de Bacillus thuringiensis, liderado por Daniel Ricardo Gomez, da Embrapa Soja (Londrina-PR). Para combater o aparecimento simultâneo de espécies de lagartas na cultura da soja, produtores rurais têm utilizado cada vez mais inseticidas químicos de amplo espectro (piretróides, organofosforados e carbamatos), o que tem restringido o uso de produtos de maior seletividade (por exemplo, o vírus AgMNPV da lagarta-da-soja e Bacillus thuringiensis). O incremento da utilização de piretróides e alguns organofosforados têm ocasionado aumento das populações de outras pragas, como por exemplo, ácaros, dificultando o manejo adequado das pragas da soja. Portanto, o monitoramento é essencial nos programas de manejo de pragas para verificar se a ineficiência do controle químico é devida à seleção de genótipos resistentes ou ainda determinar a condição real da resposta das populações geográficas a um inseticida (ou toxina) e definir se existe a necessidade de modificar as táticas de manejo. Com a liberação de culturas Bt (milho e/ou algodão) nos paises vizinhos, na Argentina em 1998, no Uruguai em 2004 e no Brasil em 2007 tornam-se necessários estudos de linhas base de suscetibilidade a essas toxinas. Assim, a caracterização precisa dessas populações geográficas através de estudos de variabilidade genética permite inferir as taxas de fluxo gênico, as quais têm importância nos estudos de resistência e verificar se as diferenças genéticas estão relacionadas com suas plantas hospedeiras.

As novas pesquisas estão dentro do âmbito da parceria Embrapa-Monsanto.

 

Fonte: Blog da Terra – 30 de julho de 2009