Uma batata transgênica acaba de ser aprovada nos Estados Unidos e poderá estar disponível para consumidores daquele país em 2017. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, avaliou o organismo geneticamente modificado (OGM) como tão seguro quanto qualquer outra variedade da planta já disponível.

BatataO OGM é a segunda geração de um produto já cultivado nos EUA. A nova batata, entretanto, combina quatro características: é menos suscetível a danos e à doença da pinta preta, tem menor teor de asparagina (aminoácido que, se aquecido a altas temperaturas, pode causar mal à saúde), maior capacidade de resistir ao frio quando armazenada e resistência ao fungo Phytophthora infestans, causador da requeima da batata.

A doença, de rápida disseminação e elevado potencial destrutivo, provocou a famosa ‘Grande Fome da Irlanda’ em meados do século XIX. Nesta época, a requeima da batata chegou à Europa e devastou as plantações de todo continente. Na Irlanda, os danos foram ainda maiores porque uma parcela expressiva da população dependia exclusivamente da cultura para sobreviver. Em virtude desse evento, aproximadamente 25% dos irlandeses morreram ou imigraram.

Os benefícios do tubérculo GM foram obtidos combinando genes de variedades selvagens e cultivadas de batatas. A resistência à requeima, por exemplo, veio de uma espécie argentina da planta, que naturalmente expressa a característica. De acordo com a desenvolvedora, com o vegetal transgênico, será possível reduzir as aplicações de defensivos químicos em até 45%.

Antes de entrar definitivamente no mercado, a nova batata deve passar ainda pelo crivo da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, fato que deve ocorrer em dezembro deste ano. Antes da aprovação pela FDA, a planta GM já tinha sido aprovada pelo Departamento de Agricultura Norte-Americano em agosto de 2015.

Fonte: The New York Times, janeiro de 2015