2017.03.01.imagem.300x200.site.interna.AlgaTransgenicaUm time composto por 13 estudantes da graduação e pós-graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de Brasília (UnB), além de três profissionais da UFC, desenvolve um projeto com microalgas geneticamente modificadas (GM) cujo objetivo é combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Esse inseto é o responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika vírus, febre chikungunya e febre amarela.

A equipe trabalha para modificar a espécie de água doce Chlamydomonas reinhardtii. Segundo Larissa Queiroz, graduada em Biotecnologia pela universidade, a ideia é fazer com que a espécie produza uma proteína inseticida (chamada Cry) e seja colocada em caixas d’água e outros locais onde o Aedes aegypti costuma se reproduzir. “Nosso objetivo é fazer com que a microalga excrete uma proteína tóxica para as larvas do mosquito, que acabariam morrendo. E não haveria nenhum risco para o homem ou animais caso consumissem essa água”, destaca Larissa.

Esses seres unicelulares, visíveis apenas no microscópio, foram escolhidos pelo time porque já têm o genoma totalmente sequenciado, são bem resistentes (sobrevivem até em ambiente salino) e porque há uma vasta literatura sobre eles. Já o projeto relacionado ao mosquito da dengue foi escolhido por sua urgência e relevância social, aponta o estudante Marcus Rafael Lobo Bezerra.

Chance de projeção internacional

Microalgas-em-fotobiorreatorTanto Marcus Rafael quanto Larissa fizeram intercâmbio em Boston, nos Estados Unidos, pelo programa Ciências sem Fronteiras, e hoje são mestrandos do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia de Recursos Naturais da UFC. Eles planejam se inscrever no International Genetically Engineered Machine (iGEM), um torneio internacional sobre biologia sintética realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Na competição, que terá sua próxima edição de 9 a 13 de novembro, em Boston, os participantes deverão desenvolver ações com impacto social, como é o caso desse elaborado pela UFC. “São várias categorias de premiação e times de 285 países. A banca avalia critérios que vão além do projeto científico, como relevância para a sociedade, atividades de extensão e apresentação oral”, enumera Marcus Rafael. Entre os planos do time, está a realização de minicursos e palestras sobre a pesquisa em escolas públicas, para alunos do ensino médio.

“Se conseguirmos concluir todas as etapas da transformação genética das microalgas com os genes de interesse até outubro, a ideia é fazer a inscrição do projeto nas próximas edições do iGEM, para que nossos alunos possam apresentar a pesquisa lá fora”, explica o orientador e professor da UFC, André Luís Coelho. A meta do grupo da UFC é colaborar para que o projeto se transforme em um produto que chegue, de fato, às casas das pessoas.

Parceria e expectativas

UFC_Wallady-Barroso_Credito-Viktor-BragaO professor André Luís Coelho já fechou uma parceria com a Universidade do Minho, em Portugal, para estudar as microalgas. Ele afirma que o processo que se pretende com as microalgas já foi testado anteriormente em bactérias, leveduras e células de plantas.
Para o orientador, o trabalho com as Chlamydomonas e a possibilidade de participar de uma competição de altíssimo nível como o iGEM vão ajudar os estudantes a ter uma visão mais empreendedora, inovadora e prática da ciência. “Eles vão conseguir pensar na pesquisa como um produto, como algo viável e direcionado à sociedade; aí mora o segredo da aplicação da biotecnologia”, enfatiza.

De acordo com Coelho, a competição em Boston não oferece um prêmio em dinheiro, mas envia às universidades inscritas kits com todo o material de biologia molecular produzido por lá nas edições anteriores.

Fonte: Redação CIB (por Luna D’Alama), 1º de março de 2017