A Ag2017.03.16.imagem.300x200.site.interna.BatatasTransgenicasência Norte-americana de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency – EPA) considerou três novas variedades de batatas geneticamente modificadas (Ranger Russet, Ruset Burbank e Atlantic) seguras para o meio ambiente. A avaliação se junta ao parecer da Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos a (Food and Drug Administration – FDA) que, em março de 2015, havia aprovado os mesmos tubérculos para consumo humano e animal. Com essas decisões, os vegetais poderão ser cultivados ainda em 2017.

As plantas foram desenvolvidas para resistir à requeima da batata, causada pelo patógeno Phytophthora infestans. Essa praga, inicialmente considerada um fungo, é na, verdade, um oomiceto, classe de organismos unicelulares que têm semelhanças com fungos e algas. A requeima foi a doença que, entre os anos de 1845 e 1849, causou a Grande Fome Irlandesa, evento que provocou a morte de um milhão de pessoas na Irlanda, reduzindo a população do país em até 25%. Apesar de a Europa inteira ter sido afetada, um terço da população da ilha dependia unicamente dessa cultura para sobreviver.

As batatas possuem genes da variedade argentina do vegetal, que confere resistência à requeima. A característica introduzida também traz benefícios indiretos, como o aumento da validade do alimento (evitando rachaduras e manchas pretas), melhor capacidade de armazenamento e, quando fritas, menor liberação de uma substância química conhecida como acrilamida, potencialmente cancerígena. No que diz respeito ao sabor e à textura, elas têm as mesmas características das batatas convencionais.

As batatas são atualmente consideradas o quarto alimento mais importante no mundo, atrás apenas do milho, do arroz e do trigo. A doença que afetou as plantações europeias na década de 1840 ainda hoje é um problema para os produtores, especialmente em regiões mais úmidas. Fungicidas têm sido utilizados há décadas para controlar a praga e a variedade transgênica pode reduzir o uso desse insumo à metade.

 

Fonte: CBS News e FDA, março de 2017