A ciência acaba de dar mais um passo na direção da cura funcional da AIDS. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, aprovou a realização de testes clínicos de um novo tratamento em humanos. O método lança mão da modificação genética ao fazer com que os glóbulos brancos de pacientes com HIV se comportem como os de pessoas naturalmente imunes. Os glóbulos brancos, também chamados de leucócitos, são células encontradas no sangue e têm a função de proteger o organismo.

Células sanguíneasA técnica é complexa. Primeiramente, amostras de células-tronco (conhecidas por seu poder de autorrenovação e transformação) de indivíduos infectados são retiradas. Ferramentas de engenharia genética então “editam” o DNA dessas células para que elas se tornem glóbulos brancos com uma mutação específica. A mutação afeta a proteína CCR5 e interfere na capacidade do vírus de se alojar no organismo. Essa característica ocorre naturalmente em uma pequena parcela da população e confere a essas pessoas imunidade à doença. Por meio desse tratamento, embora o vírus permaneça no corpo do paciente, como ele não consegue se multiplicar, não prejudica o sistema imunológico.

Quando as células geneticamente modificadas (GM) são reintroduzidas no corpo do portador do HIV, elas se multiplicam e tornam o indivíduo resistente ao vírus com apenas um procedimento. As primeiras experiências, envolvendo um número reduzido de pacientes, se mostraram bem sucedidas e apresentaram baixo risco de efeitos colaterais. A recente aprovação da FDA permite que os próximos estágios dos testes sejam realizados. Se, na prática, o método se provar tão eficiente quanto na teoria, ele poderá ser considerado a primeira cura funcional para a AIDS.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (ou AIDS, na sigla em inglês) surgiu há mais de 30 anos e hoje infecta mais de 34 milhões de pessoas em todo o mundo. Métodos de prevenção contribuíram para evitar a contaminação e medicamentos podem controlar a doença por décadas. Entretanto, a complexidade do vírus ainda não permitiu que a ciência encontrasse uma cura.

Fonte: Medical Daily, New England Journal of Medicine e Reuters, Março de 2015