Existem estudos de longo prazo que atestam a segurança dos transgênicos?

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Bióloga, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e diretora-executiva do CIB.

Existem estudos de longo prazo que atestam a segurança dos transgênicos?

Sim. Na Europa, continente frequentemente mencionado como resistente à transgenia, o relatório da Comissão Europeia EU Commission-sponsored Research on Safety of Genetically Modified Organisms (1985-2000) reitera que “a utilização de tecnologia mais precisa e o maior escrutínio da regulamentação torna provavelmente os OGMs ainda mais seguros do que as plantas e os alimentos convencionais”. Outro relatório, também da Comissão Europeia, A decade of EU funded GMO research, 2001-2010, analisou projetos de pesquisa de mais de 400 grupos independentes e apontou que “a biotecnologia, e em particular os OGM, não apresentam mais riscos do que as tecnologias de melhoramento convencional de plantas”. Dessa maneira, as afirmações contrárias a essas não encontram respaldo na vasta maioria das publicações científicas.

 

Estudos de longo prazo mais recentes chegaram à mesma conclusão que os trabalhos europeus supracitados. Em 2014, a revista científica Journal of Animal Science disponibilizou um amplo estudo sobre o impacto de OGM na alimentação animal. Conduzido pela geneticista da Universidade da Califórnia-Davis, Alison Van Eenennaam, a pesquisa analisou 29 anos de produção pecuária e colheu dados sobre a saúde dos animais antes e depois da introdução dos transgênicos. A amostragem foi representada por mais de 100 bilhões de animais e incluiu o período pré-1996, quando a alimentação era composta 100% de não transgênicos, e depois dessa data, quando atingiu quase 90% de ração GM. A conclusão do estudo é que a alimentação transgênica é equivalente à não-transgênica e não há evidências de reações adversas em animais que consumiram produtos GM. A publicação também mostrou que não existem diferenças na qualidade nutricional da carne, leite ou de outros derivados de animais que ingeriram ração contendo ingredientes geneticamente modificados (GM).

 

Além disso, a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, instituição reúne cientistas prestigiados e, desde 1863, serve de conselheira para as decisões do governo norte-americano, divulgou em 2016 estudo que confirma que os transgênicos são seguros para a alimentação humana, animal e para o meio ambiente. Para compor o relatório, o comitê de pesquisadores examinou mais de mil publicações acadêmicas sobre organismos geneticamente modificados (OGM), ouviu mais de 80 manifestações em audiências públicas e seminários e analisou mais de 700 comentários enviados pela população. O texto afirma que os especialistas não encontraram diferenças que apontem para um maior risco dos alimentos transgênicos quando comparados com variedades convencionais.

Respondido por: Adriana Brondani em 06-02-2017