Transgênicos contribuem para a morte de animais?

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Médico veterinário, pós-doutor em Genética Molecular de Microrganismos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Transgênicos contribuem para a morte de animais?

Na ciência, trabalhos acadêmicos que pretendem ser aceitos e publicados por revistas especializadas precisam passar pela avaliação de profissionais renomados de cada área. Dessa forma, muitos estudos são refeitos por outros grupos para analisar se os resultados podem ser reproduzidos. Uma única pesquisa de uma equipe que testou pólen de milhos geneticamente modificados (que expressavam a endotoxina de uma bactéria chamada Bacillus thuringiensis, ou Bt) descreveu o aumento da mortalidade em lagartas. As lagartas em questão – que mais tarde virariam borboletas-monarca – não deveriam ser os alvos dessa tecnologia, o que gerou várias perguntas e receios a respeito. Com isso, diferentes grupos refizeram os experimentos e demonstraram em revistas cientificas sérias, como a “PNAS” (revista da Academia Americana de Ciências), que houve erros experimentais no primeiro trabalho e que a nova tecnologia não causava danos às borboletas. A comunidade acadêmica considerou importante esse incidente ter sido esclarecido. Além disso, foram feitos testes com abelhas e bichos-da-seda em relação ao impacto dos transgênicos sobre eles, mas, novamente, nada ficou comprovado. O aquecimento global pode ser uma causa para a morte acentuada desses animais nos últimos anos, mas ainda não há comprovação científica sobre esse fato também. Já estudos com galinhas, porcos e bezerros que consumiram grande quantidade de alimentos transgênicos (como ração à base de soja e milho) não detectaram nenhuma alteração.

Por: Vasco Ariston de Carvalho Azevedo em 21-10-2016 | Categorias: Impactos Ambientais|Marcadores: , ,