Diretor Scott Hamilton Kennedy interagindo com o público

A revista Scientific American Brasil promoveu, entre a última quinta-feira (19) e esta segunda (23), exibições do documentário Food Evolution em São Paulo, Goiânia e Porto Alegre, para mais de 500 pessoas no total. Inédito no Brasil, o filme do diretor norte-americano Scott Hamilton Kennedy – indicado ao Oscar em 2009, por The Garden – traz uma abordagem científica sobre as discussões que envolvem os transgênicos e os desafios de alimentar a população mundial, com narração do astrofísico e apresentador Neil deGrasse Tyson.

A projeção de Food Evolution na capital paulista ocorreu no dia 19, na sala 1 do Reserva Cultural, para mais de 200 espectadores. Na abertura do evento, o diretor – via chamada de vídeo, em Los Angeles – deu as boas-vindas à plateia, interagiu com ela e arriscou algumas palavras em português. Após o filme, houve debate com a participação do cineasta, da diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, do pesquisador da Embrapa Soja Alexandre Nepomuceno e do assessor técnico da Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti (Coopercat), José Tibúrcio de Carvalho Filho, que planta algodão transgênico no norte de Minas Gerais.

Plateia de Goiânia formada por estudantes

Na sexta-feira (20), foi a vez de o público de Goiânia conferir a produção, vista por mais de 200 pessoas, entre profissionais da educação e estudantes de ensino médio dos colégios Decisão e UnoSales. Na capital goiana, a exibição foi realizada por meio de uma parceria entre a Scientific American, o CIB e a Rede Omnia, responsável pelo Portal Brasil Escola.

 

Público atento em Porto Alegre

 

 

Já Porto Alegre ganhou duas sessões do documentário na Cinemateca Capitólio, que recebeu 90 pessoas nesta segunda. Alguns espectadores solicitaram a projeção de Food Evolution no interior do Estado, onde vivem muitos produtores rurais. Houve também quem perguntasse se o filme entrará no circuito comercial de cinema ou se será liberado em canais online e de TV, evidenciando que o tema realmente despertou o interesse do público.

Debate em SP

No debate promovido pela Scientific American na capital paulista, a diretora-executiva do CIB destacou a qualidade do documentário e fez um paralelo entre a realidade norte-americana, mostrada no filme, e a do Brasil. “Em nosso país, quando os organismos geneticamente modificados (OGM) foram introduzidos, a opinião pública estava mais pautada pela especulação do que pela ciência. Hoje, porém, após mais de 20 anos, tivemos mudanças de percepção na sociedade, que reconhece melhor os benefícios dessa tecnologia”, afirmou.

Debate realizado após exibição do filme em SP

Adriana apontou, ainda, que a agricultura é uma atividade complexa e, por conta disso, são necessárias diversas tecnologias para que os produtores superem os desafios do campo. “Irrigação, plantio direto, correção do solo, sementes transgênicas, defensivos agrícolas: todas as tecnologias na agricultura são muito importantes. Nossa avaliação sobre cada uma delas deve ser baseada em dados e na ciência”, disse Adriana.

José Tibúrcio deu sua contribuição para a discussão, trazendo a perspectiva dos agricultores. “Tudo que significar melhoria na produtividade e na qualidade de vida do homem do campo deve ser disponibilizado. Todos os produtores, grandes ou pequenos, querem a mesma coisa: produzir alimentos seguros e garantir o sustento de suas famílias.”

Em sua fala, Nepomuceno ressaltou que a biotecnologia está presente em nosso dia a dia desde a década de 1980, com hormônio do crescimento, insulina e vacinas. “A transgenia é uma tecnologia extremamente poderosa e pode contribuir para o desenvolvimento de produtos inovadores em diversas áreas”, avaliou o pesquisador, que trabalha na Embrapa há 28 anos e é membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O diretor do documentário concordou que o debate sobre os OGM deve ser feito a partir de informações científicas. “A transgenia é um processo, não um produto; é uma tecnologia, não uma empresa”, analisou Kennedy.

Perguntas do público

A última parte do evento em São Paulo incluiu perguntas da plateia, que foram respondidas pelos debatedores. Uma delas, em relação à segurança dos OGM para a saúde humana, contou com explicações do diretor, de Adriana e de Nepomuceno. Todos garantiram que, até o momento, não há evidências científicas que apontem para riscos associados aos transgênicos aprovados no mundo.

“Nunca na história do planeta se estudou tanto a segurança dos alimentos como agora”, argumentou Nepomuceno. Adriana completou que os OGM são amplamente testados em relação à saúde humana e animal e ao meio ambiente. “Não foi detectado nenhum caso de dano à saúde em mais de 20 anos de adoção.”

 

Fonte: Redação CIB