Cientistas podem ter descoberto o processo genético que desencadeia a esquizofrenia. A equipe liderada pelo geneticista do Instituto Médico de Harvard (EUA), Steve McCarroll, analisou o genoma de quase 65 mil pessoas e identificou quais genes estão associados à doença. Entre os indivíduos analisados, 28.799 eram esquizofrênicos. Os pesquisadores investigaram uma parte do DNA humano que já havia sido relacionado ao mal em estudos anteriores. O trabalho foi publicado na mais recente edição da revista Nature.

SinapsesO time de cientistas descobriu que o principal fator que resulta na esquizofrenia é um fenômeno chamado poda sináptica, processo de corte das sinapses (comunicação entre os neurônios) cujo objetivo é eliminar células estranhas ou pouco utilizadas. O gene responsável por uma disfunção nessa atividade faz com que o fenômeno aconteça com mais frequência que o normal. Segundo o diretor de laboratório de pesquisa genômica do Instituto de Saúde Mental dos EUA, Thomas Lehner, embora a diminuição das sinapses seja comum, nos esquizofrênicos ela é extrema. “Isso chega ao ponto de reduzir o volume da massa cinzenta e de prejudicar as regiões do cérebro ligadas ao controle emocional.”

Há, portanto, uma forte relação entre o desenvolvimento da doença e a presença de uma variação do gene C4. As proteínas expressas por essa variação do gene ativam um processo que desencadeia a poda sináptica em excesso. A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que dificulta a distinção entre as experiências reais e imaginárias, interfere no pensamento lógico, nas respostas emocionais e comportamento esperado em situações sociais. É uma doença crônica que exige tratamento por toda a vida.

Fonte: Nature, janeiro de 2016