O fato de uma pessoa fumar ou estar acima do peso é normalmente atribuído ao estilo de vida. Porém, um estudo liderado por cientistas da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, aponta que manter hábitos saudáveis pode não depender apenas do nosso comportamento – nosso DNA pode ter uma parcela substancial de influência.

Ao contrário do que a lógica sugere, não apenas genes específicos têm participação nesses processos, mas também aqueles ligados à inteligência. Os pesquisadores se basearam em dados de quase 80 mil indivíduos para identificar 52 genes – 40 até então desconhecidos – que estão diretamente ligados à inteligência e que podem interferir em vários processos relacionados à saúde e aos hábitos de vida.

Foram encontradas possíveis correspondências entre inteligência e tabagismo, obesidade, altura, doenças neuropsiquiátricas (como depressão, esquizofrenia e Alzheimer) e autismo. As descobertas sugerem que a genética pode ajudar a explicar associações entre o nível de inteligência humano e condições de saúde da população.

“Pela primeira vez, os resultados fornecem pistas claras sobre os mecanismos biológicos que estão por trás da inteligência”, diz Danielle Posthuma, principal pesquisadora do estudo, publicado em um artigo na edição de maio da revista “Nature Genetics”. Segundo ela, sete genes da inteligência estão ligados à esquizofrenia, nove ao índice de massa corporal (IMC) e quatro à obesidade. Nesses casos, quando a variante do gene tem efeito positivo sobre o Q.I., reduz a chance da incidência de problemas relacionados à saúde, a exemplo da obesidade.

Danielle explica que essas relações genéticas lançam luz sobre os caminhos biológicos comuns tanto para a inteligência quanto para outras características humanas. “Os resultados atuais explicam até 5% da variação total na inteligência. Dado o caráter altamente hereditário dela, espera-se que os efeitos genéticos sejam importantes, e esses encontrados agora só poderão ser percebidos [de fato] em amostras ainda maiores”, afirma a cientista.

Fonte: Nature Genetics, 31 de maio de 2017