Se você é um estudioso ou um entusiasta das ciências biológicas, é possível que saiba quem são James Watson e Francis Crick. A dupla é responsável por ter revelado ao mundo a estrutura de dupla hélice do DNA. A descoberta é uma das mais importantes da história da ciência e foi essencial para o desenvolvimento de diversas tecnologias usadas nos dias de hoje, a exemplo da biotecnologia moderna. Entretanto, o que poucos sabem é que uma mulher deu uma contribuição muito relevante para esse processo. Seu nome era Rosalind Franklin.

Fotografia 51 por Rosalind Franklin

Nos primeiros anos da década de 1950, dois grupos disputavam o pioneirismo na descoberta da estrutura da molécula de DNA. De um lado estavam os cientistas da Universidade de Cambridge (onde trabalhavam James Watson e Francis Crick). De outro figuravam os pesquisadores do King’s College (de Rosalind Franklin e Maurice Wilkins). Franklin, especialista na difração dos raios-x, em 1952, conseguiu uma ótima imagem da molécula, a chamada “fotografia 51”.

À época, ela não associou a imagem ao formato de dupla hélice (como uma escada em caracol). Entretanto, um de seus alunos mostrou a fotografia a Wilkins. Ele, por sua vez, a compartilhou com seu colega de Cambridge, Francis Crick, sem que ela soubesse. Foi então que Watson e Crick combinaram a imagem com seus conhecimentos e, em 1953, publicaram na revista Nature uma série de artigos com a proposta de estrutura de dupla hélice para o DNA. Wilkins é citado nos estudos, Rosalind Franklin não. O trio de homens receberia o Prêmio Nobel de Medicina pelo trabalho em 1962, quatro anos depois da morte dela.


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Cartas sugerem boicote

Cartas trocadas entre Wilkins e Crick e reveladas em 2010 sugerem que Wilkins e Rosalind não tinham um bom relacionamento. Ele escreveu, em 1953, “espero que a fumaça de bruxaria saia logo de nossas vistas”, em uma referência ao desejo de vê-la longe dali. De fato, pouco tempo depois, ela se transferiria para Birkbeck College, onde desenvolveu um trabalho pioneiro sobre a estrutura do vírus do mosaico do tabaco (TMV). Em outra correspondência, mesmo reconhecendo a importância dos achados de Franklin, Wilkins deixa transparecer descaso. “E pensar que Rosie teve todas aquelas imagens em 3D por nove meses e não viu uma hélice. Meu Deus.”

A vida de Rosalind Franklin

Rosalind Franklin

Rosalind nasceu em 25 de julho de 1920, em Londres. Aos 18 anos, ela entrou no Newnham Women’s College da Universidade de Cambridge, onde graduou-se em bioquímica. Após a conclusão dos estudos, ela obteve o título de Ph.D. por sua pesquisa com microestruturas do carbono e do grafite.

Entre 1946 e 1950, Franklin esteve no Laboratoire Central des Services Chimiques de L’Etat, em Paris, onde usou a técnica da difração dos raios-x para analisar materiais cristalinos, o que viria a se tornar o trabalho de sua vida. A convite do King’s College, que estava interessado na especialidade de Franklin para o estudo do DNA, ela volta a Londres em 1950, onde passa a conviver com Maurice Wilkins. Entretanto, devido ao conflito entre as personalidades dos dois, acabam atuando isoladamente.

Em 1953 ela se transfere para o Birkbeck College, onde encontrou um ambiente mais amigável. Pouco tempo depois, em 1956, foi diagnosticada com câncer no ovário, doença que a levou à morte dois anos mais tarde (1958), com apenas 37 anos de idade. Apesar da doença e da morte iminente, a Drª. Franklin ainda conseguiu obter financiamento para manter sua equipe pesquisando o vírus da poliomielite.

Fontes: BBC, Nature, The Guardian, março de 2018.