Uma nova linhagem do mosquito Aedes aegypti geneticamente modificado (GM) deve ser testada em breve na cidade de Indaiatuba (SP). O inseto é uma versão aprimorada do mosquito já aprovado pela Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio) no Brasil e por outras agências que avaliam biossegurança em outros países do mundo, a exemplo do Panamá e das Ilhas Cayman. A primeira geração de mosquitos da dengue GM produz descendentes que herdam um gene autolimitante, tornando-os incapazes de chegar à fase adulta. A nova variedade, porém, tem filhotes machos que conseguem sobreviver e, ao cruzar com fêmeas selvagens, passam a modificação genética para seus descendentes.

Como os machos transgênicos não picam nem transmitem doenças, a sobrevivência deles faz apenas com que o alcance da alteração e a exposição a ela sejam maiores. Assim, a prole masculina continuará disseminando o gene letal, o que aumenta a eficácia da tecnologia e diminui seus custos de utilização. Os ovos que vão formar a colônia GM virão de Oxford, na Inglaterra. A liberação planejada do Aedes aegypti transgênico no meio ambiente foi aprovada em agosto pela CTNBio. A previsão é que os experimentos comecem ainda este ano e durem cerca de 30 meses.

Outras formas de combater as doenças transmitidas pelo Aedes (dengue, zika, febre chikungunya e febre amarela) com aplicação da biotecnologia estão sendo desenvolvidas por centros de pesquisa como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por gerar um mosquito que carrega em suas células uma bactéria que o torna incapaz de transmitir os vírus; e por universidades federais como a do Rio de Janeiro (UFRJ) e a do Ceará (UFC). A primeira estuda o genoma do inseto para bloquear sua capacidade de sugar sangue, enquanto a segunda trabalha com algas transgênicas que liberam uma proteína tóxica às larvas do mosquito, que acabam morrendo.

 

Fonte: Redação CIB, agosto de 2017.