A agricultura mundial conta hoje com mais de 50 milhões de hectares de transgênicos plantados, com predominância para a soja, o milho e o algodão. Somente em 2002, a taxa mundial de crescimento da adoção de transgênicos foi de 12%, o que demonstra um significativo aumento da utilização desta nova tecnologia. A informação é do engenheiro agrônomo André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, empresa especializada em Análise de Mercados Agrícolas. Pessoa foi um dos palestrantes do II Workshop para a Imprensa, realizado hoje, dia 23 de abril, pelo CIB – Conselho de Informações sobre Biotecnologia, e que teve como tema O Impacto da Biotecnologia no Agronegócio. O evento contou com a presença, em São Paulo, de mais de 20 profissionais da mídia geral e especializada de todo o País.

Pessoa, que é conselheiro do CIB, apresentou também uma estimativa de custos de produção de soja transgênica no Brasil realizado pela Embrapa, que mostra uma possível redução de mais de 10%, se comparado com a produção de soja convencional. “Por enquanto, o Brasil tem produtividade suficiente para se permitir a não utilização de transgênicos no País. No entanto, minha preocupação é a médio e longo prazo, pois a falta de adoção desta nova tecnologia pode fazer com que o Brasil fique para trás em relação aos nossos competidores”, afirma. Para ele, há benefícios imediatos com a adoção dos transgênicos no Brasil, como a redução de custos, máquinas e mão-de-obra, menor risco de contaminação de trabalhadores, facilidade no manejo, auxiliando a prática no plantio direto, colheita sem impurezas e menor vulnerabilidade no abastecimento de milho e arroz.

Já o argentino Eduardo Trigo, secretário-executivo do Grupo Consultivo sobre Biotecnologia para América Latina e Caribe, falou sobre a história de sucesso do cultivo de transgêncios na agricultura Argentina. Segundo ele, “a crescente produção agrícola da Argentina e sua participação no mercado internacional estão diretamente relacionadas à adoção da biotecnologia por seus agricultores”. Atualmente, os transgênicos aprovados pelo governo da Argentina são a soja RR, o algodão Bt e o milho Bt. Cerca de 95% da soja produzida é transgênica, o que possibilita inúmeras vantagens competitivas para a agricultura argentina. A adoção da soja transgênica resultou em uma grande redução nos custos de produção da lavoura, que gira em torno de US$ 20 a US$ 25 por hectare, além do aumento da área disponível para a agricultura de aproximadamente 4,6 milhões de hectares. Trigo explicou que as exportações também cresceram consideravelmente. Para se ter uma idéia do impacto da adoção da soja transgênica na Argentina, no ano de 2002 o volume de exportação do país foi de cerca de US$ 7 bilhões. Trigo destacou também outros benefícios indiretos, como o aumento de emprego no setor agrícola, redução de herbicidas com alta toxicidade e a facilidade na expansão da área com cultivo reduzido.

Além de Pessoa e Trigo, também participaram do workshop o professor de Economia da USP e pesquisador da Fipe, Fernando Homem de Melo, e Marcos Jank, engenheiro agrônomo formado pela Esalq-USP. Melo apontou a importância da tendência declinante dos produtos alimentícios e a competitividades das exportações, em virtude da instabilidade da taxa cambial. “Os transgênicos são uma grande inovação tecnológica e certamente poderão contribuir com a redução de custos de produtos que estão na cesta básica dos brasileiros, como arroz, o feijão e o milho”, explica.

Já Marcos Jank, que integra a diretoria da Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), abordou a questão das commodities no mercado mundial. Para ele, o conceito básico dos transgênicos é a produção de alimentos mais baratos para o consumidor e a criação de produtos que podem melhorar a qualidade dos alimentos. Com relação ao processo de liberação dos transgênicos no Brasil, Jank acredita que o país está sendo economicamente afetado com o impasse, e defende a imediata ação do governo.

Após os resultados positivos nos dois primeiros eventos, o CIB já está pensando na formatação do III Workshop para jornalistas, que abordará novos temas para contribuir cada vez mais com a disseminação de informações sobre Biotecnologia no Brasil.