SojaPesquisa realizada em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, sigla em inglês) e a Universidade de Londres revelou que a soja geneticamente modificada é a biofábrica mais eficiente e viável para a produção em larga escala da cianovirina – uma proteína extraída de algas descoberta nos anos 1990 – muito eficaz no combate à AIDS. O estudo foi publicado na edição de fevereiro da revista Science.

A variedade de soja transgênica em desenvolvimento pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia é capaz de gerar 1 kg de proteína ativa em 1524 m2 de cultivo em casa de vegetação. Isso é bem mais do que já foi obtido por todos os métodos e biorreatores testados em 20 anos de pesquisa. Esse resultado permite vislumbrar a produção industrial de cianovirina e sua aplicação em medicamentos para prevenir o contágio pelo HIV. “O desafio da indústria farmacêutica não é descobrir moléculas, mas sintetizá-las em escala, com custos viáveis”, afirma o geneticista responsável pela pesquisa e conselheiro CIB, Elíbio Rech.

Os cientistas que primeiro isolaram a cianovirina da cianobactéria Nostoc ellipsosporum idealizaram a possibilidade de utilizá-la num gel que, aplicado antes do ato sexual, impede a transmissão do HIV. A ideia, no entanto, nunca saiu do papel pela dificuldade de produzir a proteína em quantidade significativa. Os detentores da patente do gene codificador da cianovirina, então, firmaram convênios com várias instituições, entre elas a Embrapa, para encontrar outras rotas tecnológicas de síntese da proteína. A Embrapa adicionou o gene à soja e, em poucas gerações, obteve cultivares que produziam até 10g de cianovirina em 1 kg de semente. O geneticista acredita, no entanto, que poderá obter até 10 kg da proteína nos mesmos 1524 m2 de cultivo. “É possível, mas requer mais tempo de pesquisa”, comenta.

Gráfico produção cianovirina

A soja produtora de cianovirina, por enquanto, está em fase de testes. A proteína, atualmente em pesquisa pré-clínica, precisa antes ser aprovada para uso em humanos.

Revista Science – fevereiro de 2015