300x200crisprSe você ainda não sabe que é a CRISPR, não perca tempo, essa é sua oportunidade de ficar por dentro da técnica que está revolucionando a biologia molecular em todo o mundo. A sigla vem da expressão inglesa Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats e, em tradução literal, significa “agrupados de curtas repetições palindrômicas regularmente interespaçadas”. Não entendeu nada? Acalme-se, a gente explica.

A CRISPR é uma sequência de DNA que pode ser repetida diversas vezes, com sequências únicas entre as repetições. Sempre convenientemente localizado perto dessas sequências, está o gene que expressa a enzima Cas9, que têm a capacidade de cortar precisamente o DNA. A dupla CRISPR-Cas9 funciona da seguinte maneira: a Cas9 corta o DNA e a CRISPR diz à enzima exatamente onde cortar. O mais interessante é que os cientistas descobriram como informar à Cas9 a sequência a ser editada (por meio de uma cadeia-guia de RNA), retirando um pedaço do DNA e substituindo-o por outro.

O pesquisador da Embrapa Soja e presidente do Comitê Gestor do portfólio de Engenharia Genética para o Agronegócio, Alexandre Nepomuceno, explica que biologia já faz uso de técnicas para editar e modificar o DNA desde a década de 80. “Entretanto, a CRISPR pode ser considerada revolucionária por permitir a manipulação de genes com elevada precisão, rapidez e menor custo”, afirma. As aplicações podem ser muitas, desde o desenvolvimento plantas tolerantes à estresses abióticos (a exemplo do frio e da seca) a insetos incapazes de transmitir doenças.

A Ph.D em biologia molecular pela universidade de Nova York, Ellen Jorgensen, explica o potencial desta tecnologia neste vídeo do TED Talks.

Em Pequim, a pesquisadora do Instituto de Genética e Biologia da Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em inglês), Caixia Gao, foi a primeiro a usar essa técnica para edição do genoma de culturas agrícolas. As pesquisas conduzidas por Gao estão focadas na engenharia genética do trigo, famoso pelo DNA de alta complexidade. Uma variedade da planta resistente à doença obtida por Gao utilizando a técnica CRISPR já encontra-se em fase de desenvolvimento por uma empresa nos Estados Unidos.

Fonte: Redação CIB, novembro de 2016