Muitas teorias tentam explicar porque homens holandeses e mulheres da Letônia são as pessoas mais altas do planeta. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington (EUA) pode estar perto de desvendar esse mistério. O trabalho sugere que a espécie humana neandertal (Homo Neanderthalensis), extinta há mais de 40.000 anos, pode estar relacionada com isso.

No passado, cruzamentos entre os neandertais e os seres humanos (Homo sapiens) foram responsáveis pela troca de muitos genes entre essas espécies e, até hoje, alguns fragmentos desse genoma ancestral estão conosco. Pesquisa recentemente publicada na revista científica americana Cell revela que que a interação entre humanos e neandertais pode ter nos fornecido algumas características importantes.

Com o objetivo de descobrir se os genes dos neandertais presentes em nosso DNA estavam ativos, os cientistas selecionaram um grupo muito particular de pessoas: aquelas que carregam as versões humana e neandertal de alguns genes, cada um deles herdado de um dos pais. Ao analisar a expressão desse DNA descobriu-se que, entre alguns grupos étnicos, o genoma herdado da espécie extinta afeta não só características físicas, como altura, mas também confere importantes contribuições imunológicas.

A variante neandertal do gene ADAMTSL3, por exemplo, reduz a propensão à esquizofrenia e a versão ancestral do CEP72 diminui a suscetibilidade à fibrose cística. De forma geral, em cerca de 25% das pessoas estudadas os genes dos neandertais são expressos de maneira diferente de seus equivalentes humanos. Isso sugere que esse o DNA ancestral influencia diretamente as características biológicas dos seres humanos de hoje.

 

Fontes: Revista Cell e  IFL Science, 27 de março de 2017