A Apis mellifera é o terceiro inseto a ter seu genoma completo seqüenciado. O trabalho, feito por um consórcio internacional formado por dezenas de pesquisadores, está descrito na edição de outubro da revista Nature.

Cientistas brasileiros tiveram participação fundamental no trabalho, tendo sido responsáveis por fazer do país o segundo principal contribuidor para o banco de dados que reúne as seqüências do genoma do inseto. “Ficamos com a parte de diferenciação, porque já estudávamos esse tema há 20 anos”, disse Zilá Luz Paulino Simões, professora do Departamento de Biologia da USP em Ribeirão Preto, à Agência FAPESP.

“Os norte-americanos ficaram com os genes da resposta imune de abelhas. O grupo da Austrália estudou grupos de genes neuropeptídeos e os alemães os genes determinadores do sexo”, destacou Zilá. Pesquisadores de diversos outros países, como França, Japão, Bélgica, Dinamarca e Suíça, também fizeram parte do trabalho feito pelo Consórcio de Seqüenciamento do Genoma da Abelha.

“Estudamos os eventos de diferenciação das abelhas em rainha e operária. Já se havia seqüenciado a Drosophila e o Anopheles mas, sob certos aspectos, a abelha é bem mais complexa. Ela é um animal altamente social”, disse Zilá.
O trabalho feito em Ribeirão Preto contou com apoio da FAPESP na modalidade Projeto Temático, em projeto coordenado pela professora Zilá. A participação brasileira no seqüenciamento, creditada no artigo na Nature, também contou com Klaus Hartfelder, Francis de Morais Franco Nunes e Márcia Gentile Biondi, da USP em Ribeirão Preto, e com Alexandre Cristiano, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, em São Paulo.

Entre as descobertas feitas a partir do seqüenciamento, os pesquisadores destacam a evolução genômica mais lenta da abelha em relação à mosca-das-frutas e ao mosquito da malária. Outro ponto importante é que o genoma da A.mellifera apresenta maiores semelhanças com o de vertebrados do que os outros dois insetos, que não formam colônias.

Zilá conta que, no artigo agora publicado, está identificada a presença de genes ligados à aprendizagem. “A pesquisa tambem abriu uma nova possibilidade científica pelo fato de termos um genoma no mínimo bivalente: a direção do desenvolvimento pode ser para rainha ou operária. Abre-se uma possibilidade de estudos de regiões (do genoma) promotoras de diferenciais”, disse.

Mais informações sobre o seqüenciamento do genoma da Apis mellifera: www.hgsc.bcm.tmc.edu/projects/honeybee.
Fonte: Agência Fapesp – 25 de setembro de 2006