A Academia de Ciências do Vaticano (PAS, na sigla em inglês) deu luz verde para os organismos geneticamente modificados (OGM), ao considerar que não há perigo em usar a engenharia genética no melhoramento de culturas.

A agência do Vaticano manifestou seu posicionamento em um relatório publicado na revista New Bioctechnology. “Não há nada, inerente ao uso da engenharia genética para melhorar as colheitas, que colocaria em risco as plantas e os produtos alimentares deles derivados”, diz o relatório. O documento é resultado de um seminário chamado “Semana de Estudo – Plantas transgênicas para a segurança alimentar no contexto do desenvolvimento”, que reuniu 40 especialistas (incluindo membros da PAS) e foi realizado em maio de 2009, na sede da academia.

O documento ainda ressalta que um bilhão de pessoas no mundo sofrem de subnutrição, o que exige o urgente desenvolvimento de novos sistemas de tecnologia agrícola – que, segundo os pesquisadores, são mais urgentes do que nunca, se levarmos em conta que a população mundial terá aumentado até 2,5 bilhões de pessoas em 2050, e as alterações climáticas e a redução dos recursos hídricos afetam diretamente a capacidade de alimentar a população.

Os especialistas também observaram que a “aplicação adequada” da engenharia genética e outras técnicas moleculares modernas “ajuda a enfrentar esses desafios.” Para eles, é necessário que os agricultores pobres nos países em desenvolvimento tenham acesso a variedades melhoradas de culturas geneticamente modificadas adaptadas às condições locais.

A diretora-executiva do CIB, Alda Lerayer, vê a publicação desse documento de forma muito positiva. “O estudo é de extrema relevância do ponto de vista científico e social e vem reafirmar a segurança dos alimentos geneticamente modificados ou transgênicos para o consumo humano e animal”, enfatiza.

Documento completo, em inglês

Fonte: EFE – 30 de Novembro de 2010