Os Estados Unidos finalizaram em agosto a avaliação da segurança do açúcar produzido a partir da cana-de-açúcar transgênica aprovada no Brasil. De acordo com a Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos país (Food and Drug Administration – FDA), o açúcar de cana transgênica é seguro para consumo. A decisão se junta à da Health Canada que, em março de 2018, chegou à mesma conclusão.

Os órgãos são os responsáveis por avaliar a segurança e o valor nutricional de alimentos nos EUA e no Canadá. Além disso, atuam na promoção da saúde e do bem-estar dos cidadãos por meio de políticas baseadas em evidências científicas. De acordo com a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, essa nova aprovação confirma o parecer da CTNBio. “Em 2017, após rigorosas análises e mais de uma década de pesquisas, o Brasil tornou-se pioneiro na biotecnologia com a aprovação da cana transgênica”.

A cana geneticamente modificada brasileira já foi plantada em 400 hectares pelo País por cerca de cem usinas. A moagem, entretanto, só deve acontecer na próxima temporada. Isso porque as usinas trabalharão primeiro na multiplicação dessa variedade, enquanto aguardam aprovação de outros importadores de açúcar.


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O que a cana transgênica tem de diferente?

cana transgênica aprovada no Brasil recebeu um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, por isso também é chamada de Cana Bt. Esse microrganismo encontrado no solo produz proteínas inseticidas tóxicas para alguns insetos. Entretanto, não têm qualquer efeito sobre outros organismos e sobre o homem. Desenvolvida inteiramente no Brasil, a variedade é resistente à broca-da-cana.

A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é uma espécie de mariposa da ordem lepidóptera considerada a principal ameaça às plantações de cana-de-açúcar no Brasil. Especialistas avaliam que as perdas causadas pela broca chegam a até R$5 bilhões por ano. Além disso, os índices de danos têm aumentado nas últimas safras. Ela impacta a qualidade do açúcar e pode causar aumento dos gastos com inseticidas.

A aprovação desta tecnologia na cana é recente, mas a utilização do gene Bt na agricultura acontece há mais de 15 anos. O DNA desse mesmo microrganismo já protege variedades de soja, milho, algodão, canola e berinjela do ataque de insetos no Brasil e no mundo. Muito antes disso, a própria bactéria já era usada em formulações de bioinseticidas pulverizadas em diversas lavouras. Aliás, até os cultivos orgânicos utilizam fórmulas com Bt.

O açúcar de cana transgênica

A proteína Bt tem longo histórico de segurança alimentar, entretanto, ela não faz parte do açúcar ou do etanol. Esses produtos são substâncias puras e não contém a proteína na sua composição. O gene Bt e as proteínas expressas por ele inseridas na cana são completamente eliminados nos produtos derivados da cana. Diversos estudos comprovam que o açúcar e o etanol obtidos por meio da cana Bt são idênticos aos que derivam da cana convencional.

Adicionalmente, não há efeitos negativos no meio ambiente: alteração na composição do solo e na biodegradabilidade ou impactos sobre insetos que não sejam pragas. Isto é, a variedade transgênica pode ser utilizada exatamente para os mesmos fins que a cana convencional.

Fonte: Redação CIB, 10 de Agosto de 2018