Quando alguém fala em algodão, o que nos vem à cabeça costuma ser a de um botão com fibra branca. Entretanto, existem variedades naturalmente coloridas da fibra, a exemplo do algodão marrom. Esse tipo está chamando a atenção da indústria têxtil por ser mais eco-friendly, dado que não precisa ser tingido quimicamente. Essa coloração está associada a uma característica genética que confere ao algodão um pigmento marrom.

Algodão marrom

Crédito: Flávio Torres

Mas nem tudo são flores. Estudos mostraram que, embora a cor seja um aspecto desejável, em geral, o algodão marrom tem baixo rendimento e sua fibra não é tão boa. Exatamente por isso, estudar as características genéticas responsáveis essa pigmentação é importante para introduzi-la em variedades de melhor desempenho ou mesmo melhorar a cor e ampliar suas finalidades.

Na busca pelo melhoramento genético desse algodão, pesquisadores descobriram um gene envolvido na síntese do pigmento marrom da sua fibra. A descoberta desse gene pode ser uma chave para melhorar o rendimento e a qualidade do algodão marrom. O artigo que revela o empenho desses pesquisadores foi publicado na Plant Biotechnology Journal por Qian Yan e seus colegas da Universidade Southwest, na China.


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 Como foi identificado o pigmento do algodão marrom?

Para identificar o gene que controla a pigmentação, os pesquisadores realizaram várias análises de uma versão do algodão marrom. Como resultado, isolaram o gene GhTT2-3ª, envolvido na ativação de outros genes que levam à formação do pigmento. Os pesquisadores também descobriram que aumentar a expressão desse gene na planta resultou em fibras com maior qualidade. Além disso, nesses casos, a quantidade de fios foi quase a mesma que da encontrada no algodão de fibra branca. Os resultados obtidos no estudo indicam que os efeitos negativos da coloração sobre o desenvolvimento da fibra poderiam ser eficientemente eliminados com o uso de técnicas da biotecnologia.


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O melhoramento do algodão marrom pode trazer benefícios ao meio ambiente

Com a crescente demanda por produtos verdes (que favorecem a proteção ambiental e a sustentabilidade) na sociedade moderna, o algodão marrom atraiu interesse da indústria têxtil. Para a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, o melhoramento genético e a biotecnologia são ferramentas poderosas para o desenvolvimento de variedades mais ambientalmente amigáveis. “O sequenciamento genético pode identificar genes com características de interesse, a exemplo da pigmentação. A partir dessa descoberta, podemos usar o melhoramento genético para desenvolver uma variedade com essa característica ou, se não for possível por essa via, lançar mão da transgenia para obter essa nova cultivar.”, explica a doutora em biologia.

Segundo o pesquisador da Embrapa Algodão Luiz Paulo de Carvalho, uma das vantagens de se plantar o algodão marrom é o fato de ele dispensar o tingimento, evitando contaminação do meio ambiente com resíduos de tinta e economizando água e energia gastos nesse processo. “O outro benefício é o preço, dado que o produtor recebe bem mais pela fibra colorida do que pela branca. Além disso, o custo de produção do algodão colorido é o mesmo do algodão branco.”, revela.

 

Fonte: Plant Biotechnology Journal, Redação CIB, 17 de dezembro de 2018