Todos sabem que a seca é uma ameaça à produção de alimentos na agricultura e na pecuária. O que, às vezes, as pessoas podem se esquecer é que a falta de água também prejudica a cultura mais importante da indústria têxtil mundial: o algodoeiro. Por isso, o desenvolvimento de variedades de algodão tolerante à seca é, mais do que um desafio tecnológico, uma necessidade. Entretanto, um estudo publicado na Frontiers in Plant Science no início do mês mostra que estamos cada vez mais próximos dessa meta.

O trabalho apresenta a descoberta de genes de tolerância à seca no algodão. Esses resultados poderão acelerar o desenvolvimento de plantas com essa característica. O algodão de sequeiro (Gossypium hirsutum L.) é responsável por 95% da produção anual de algodão em todo o mundo. As culturas de sequeiro são culturas agrícolas que crescem sem a necessidade de muita de água no solo por meio de irrigação. Porém, mesmo nessas variedades a produção pode ser prejudicada quando há limitação severa de água. A seca pode provocar perda substancial de produtividade e, com as mudanças climáticas, esse problema pode ficar ainda mais crítico.


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Aquecimento global e algodão tolerante à seca

Com o aquecimento global, produtores enfrentarão grandes perdas nas lavouras e um dos desafios será a capacidade das lavouras de resistirem à escassez de água. Devido à necessidade de proteger a cultura do algodão de um futuro com menos água, cientistas de mundo todo tentam criar plantas que consigam se desenvolver nessas condições.

Uma dessas iniciativas levou a equipe do cientista Wangzhen Guo, na Universidade Agrícola de Nanjing, China, a identificar genes de tolerância à seca no algodão. De posse dessa preciosa informação, eles poderão usar esse trecho do DNA para o melhoramento genético da planta relacionado à tolerância a fator climático. “Nosso estudo fornece informações valiosas para explorar informações genéticas associadas à tolerância à seca do algodão e viabiliza novos recursos para a melhoria das futuras plantações dessa cultura”, comentam os pesquisadores no artigo.

“Esses resultados aprofundarão nossa compreensão da base genética da tolerância ao estresse hídrico no algodão e fornecerão potenciais marcadores para acelerar o desenvolvimento de cultivares de algodão tolerante à seca”, acrescentam os cientistas.


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Passo a passo para o chegar a um algodão tolerante à seca

Para chegar aos genes que podem levar ao desenvolvimento do algodão tolerante à seca, 319 variedades de uma variedade de sequeiro (Gossypium hirsutum L.) foram estudadas. Dessas, 306 eram de diferentes regiões da China e 13 provenientes dos Estados Unidos. Inicialmente as variedades foram  cultivadas em casas de vegetação e submetidas à falta d’água. Nesse estudo prévio, as cultivares foram classificadas com níveis de tolerância à seca avançados, médios, sensíveis e extremamente sensíveis.

Posteriormente, às plantas tiveram seu DNA analisado para obtenção das informações genéticas relacionadas à tolerância. “Identificamos 20 marcadores moleculares distribuídos em 16 cromossomos significativamente associados a seis características relacionadas à tolerância à seca”, comentam os autores no estudo.

Estudos que envolvem a descoberta de genes de tolerância à seca nas culturas são uma das frentes de estudos da biotecnologia. As informações obtidas nessas pesquisas fornecem, cada vez mais, ferramentas bases para o melhoramento de plantas, principalmente por meio de técnicas de engenharia genética. Atualmente já existem variedades de algodão transgênico disponíveis para plantio com tolerância à herbicidas e resistente à insetos.

 

Fonte: Frontiers in Plant Science, Redação CIB, 24 de setembro de 2018