De acordo com estudos realizados por pesquisadores da Texas A&M University, a utilização das sementes do algodão pode não estar limitada à alimentação de bovinos. Por meio da modificação genética dessas sementes, pode-se impedir a produção do gossipol (um composto que pode ser tóxico quando em excesso no organismo) e dessa forma utilizá-las na alimentação humana como uma excelente fonte de proteína. A presença dessa substância na semente do algodão a torna não comestível para o homem e além disso, pode causar problemas metabólicos, tais como a diminuição da quantidade de potássio no sangue a níveis perigosos, causando fadiga e até paralisia, podendo também causar danos ao coração e ao fígado.

O cultivo do algodão tem como finalidades a utilização da fibra para produção de tecidos, entretanto alguns de seus subprodutos são largamente utilizados na alimentação de bovinos. Após a extração do óleo da semente obtém-se a torta de algodão, que representa mundialmente, a segunda mais importante fonte ou suplemento protéico disponível para a alimentação animal, superada apenas pela soja. De todos os subprodutos de algodão, os farelos da torta, são os mais conhecidos e utilizados. Resultam da remoção do óleo, que pode ser feita tanto pelo esmagamento mecânico do caroço como através do uso de solventes. Os caroços de algodão possuem teores de proteína de 22 a 25%.

Os subprodutos da indústria algodoeira que são utilizados na alimentação de bovinos são reconhecidamente de boa qualidade, entretanto, os métodos modernos de extração do óleo têm aumentado a concentração do gossipol nos subprodutos. Este composto em quantidades elevadas pode causar diferentes reações, pois sua molécula não é metabolizada pelas bactérias do rúmen nem mesmo pelo animal. Ao unir-se a proteínas que contém aminoácidos livres, o gossipol impede o metabolismo das mesmas.

Segundo o biotecnólogo Keerti Rathore, a técnica utilizada foi a do RNAi ou RNA de interferência, a mesma já utilizada no tratamento do câncer e da Aids. Essa técnica tem como objetivo desativar o gene responsável pela produção do gossipol, essa substância tem ação protetora contra pragas, por isso os pesquisadores inativaram os genes presentes apenas nas sementes do algodão, deixando intactos os genes presentes em outras partes da planta.

Os pesquisadores construíram uma seqüência genética que era ativa somente nas sementes do algodão. Essa seqüência continha uma parte do gene responsável pela produção da enzima que tem papel fundamental na produção do gossipol. Ao ser introduzida nas células das sementes do algodão essa nova seqüência gerou um novo tipo de RNA mensageiro (RNAm) interferindo na produção do gossipol.

As pesquisa com o algodão modificado geneticamente em laboratório encontra-se em estágio avançado, no entanto, novos experimentos de campo devem ser realizados para testar a estabilidade do novo traço genético apresentando pelas plantas. A estimativa do pesquisador Keerti Rathore é de que o novo algodão transgênico esteja disponível no mercado em aproximadamente dez anos.

Fonte: Biotec AHG – Arlei Maturano – (22/11/2006)