Você sabia que o algodão transgênico está cada vez mais presente no seu dia a dia? Ele pode ser encontrado na indústria têxtil e também na indústria alimentícia, trazendo benefícios para o consumidor e para o meio ambiente. Neste texto, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre algodão transgênico: o que é, como identificar, os benefícios e o impacto na saúde e no meio ambiente.

Algodão Transgênico

O que é o algodão transgênico?

O algodão transgênico é a fibra da planta que foi geneticamente modificada por meio da biotecnologia. Isso pode ocorrer a partir da inserção de um ou mais genes de outro organismo no DNA da planta. Essa tecnologia pode trazer vantagens para o consumidor, para o meio ambiente e para o agricultor.

Atualmente, as características apresentadas nas variedades de algodão transgênico disponíveis para plantio são:

  • Resistência a insetos

A planta apresenta uma proteína considerada letal para pragas. No caso do algodão, a utilização dessa tecnologia controla pragas como o curuquerê do algodoeiro (Alabama argillacea), lagartas das maçãs (Heliothis virescens e Helicoverpa zea), lagarta rosada (Pectinophora gossypiella) e lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda). Os transgênicos que apresentam a característica de resistência a insetos são chamados de Bt, pois recebem um gene que é encontrado na bactéria Bt (Bacillus thuringiensis). A proteína expressada é inofensiva para os seres humanos.

  • Tolerância a herbicidas

Essa característica ajuda os agricultores no controle de plantas daninhas que comprometem a produtividade das lavouras. O agricultor, dessa forma, pode aplicar o herbicida ao qual o vegetal é tolerante e eliminar as espécies indesejadas, preservando a cultura plantada.

Hoje, há também variedades que combinam essas duas características disponíveis para plantio no Brasil. Até o julho de 2018, eram 15 eventos aprovados no País.


Lençóis de fios egípcios

Você sabia que os famosos lençóis e toalhas de fios egípcios são produzidos com algodão de fibra longa (superior a 32,5mm)? Egito, Estados Unidos e Peru produzem o algodão de fibra longa e extralonga (conhecido como Giza e Pima), atendendo ao mercado de tecidos finos e de luxo. Quando mais comprida for a fibra, maior é a qualidade do produto.


Algodão transgênico faz mal para a saúde?

Todo e qualquer produto derivado da biotecnologia que se destine ao uso humano e à alimentação humana e animal são rigorosamente avaliados em relação à sua biossegurança antes de serem liberados para consumo. Até hoje, não foram constatados problemas de saúde relacionados com a ingestão ou uso de produtos transgênicos (ou derivados).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os produtos transgênicos comercializados não apresentam riscos à saúde humana, visto que todos passaram por exigentes avaliações antes de ocuparem as prateleiras do supermercado.

Algodão transgênico faz mal para o ambiente?

As culturas geneticamente modificadas apresentam impacto positivo no ambiente. Essa conclusão, apresentada por diversos estudos e consultorias internacionais, foi confirmada, no Brasil, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Isso ocorre porque, quando plantas são desenvolvidas para serem resistentes a insetos ou tolerantes a herbicidas, o uso de insumos é otimizado.

Como o uso dos defensivos agrícolas é otimizado, o gasto com água na preparação de produtos diminui, assim como o descarte de embalagens, evitando contaminação de rios, solos e animais. A utilização de combustível nos tratores utilizados para aplicar os produtos nas lavouras também cai, o que significa menor emissão de gases poluentes lançados na atmosfera. A tecnologia utilizada também reduz as perdas nas lavouras, reduzindo a necessidade do preparo de novas áreas para plantio. Dessa maneira, a utilização de transgênicos na cultura do algodão, assim como em outras, contribui para a prática de uma agricultura mais sustentável.

Como identificar o algodão transgênico na alimentação

Pode parecer estranho, mas é isso mesmo! Além de ser utilizado pela indústria têxtil, o algodão também está presente indústria de alimentos. Ele é usado na produção de óleo de algodão usado para preparo de saladas, molhos, maioneses, margarinas biscoitos e outros alimentos, além de misturas para rações animais.

O alimento transgênico não pode ser identificado a olho nu. Grandes empresas realizam testes em laboratório para saber se um produto recebido é geneticamente modificado ou convencional. Mas há uma maneira mais simples de reconhecer.

No Brasil é obrigatório a identificação de um produto com mais de 1% de ingrediente transgênico no rótulo. Para identificar se o alimento que você comprou no supermercado é transgênico, basta observar a presença dos seguintes itens:

  • símbolo de transgênico na embalagem. É representado por um triângulo amarelo, com a letra T dentro;
  • frase “produto produzido a partir de algodão transgênico” ou “contém algodão transgênico”;
  • nome da espécie doadora do gene junto à identificação dos ingredientes ou sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado).

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Benefícios do algodão transgênico

Evidências científicas apontam que a adoção do algodão transgênico traz benefícios tanto para o produtor quanto para o consumidor e para o meio ambiente. São eles:

  • facilidade de manejo da lavoura;
  • aumento da produtividade da cultura;
  • otimização do uso de defensivos agrícolas no campo, baixando custos de produção e, consequentemente, reduzindo significativamente o risco de contaminação por defensivos;
  • resistência ao ataque de pragas.

O futuro do algodão transgênico

O futuro reserva um cenário de mais diversidade em termos de características para o algodão transgênico. De acordo com o Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos, em 2014/15, foram registrados 95 patentes de biotecnologia para o algodão no país. Desse total, 35% referiam-se à tecnologia de resistência a fungos e 10% à resistência a nematóides. Isso quer dizer que as empresas já estão desenvolvendo transgênicos com benefícios diferentes daqueles trazidos pela resistência a insetos e tolerância a herbicidas.

No Brasil, uma parceria da Embrapa e do Centro de Pesquisa Internacional em Ciências Agrárias Japonês (Jircas, na sigla em inglês) desenvolvem um algodão transgênico tolerante à seca. Com a introdução de apenas um gene, as plantas modificadas apresentaram melhor desempenho que suas versões não transgênicas em testes realizados em casas de vegetação. Quando aprovada, essa tecnologia poderá ajudar os cotonicultores brasileiros a enfrentar uma das piores ameaças ao setor no País, a ocorrência de longos e fortes períodos de seca.

Produção do algodão transgênico no Brasil e no mundo

Nos últimos anos, o Brasil tem se mantido entre os cinco maiores produtores mundiais, ao lado de países como China, Índia, EUA e Paquistão. Além disso, o País tem figurado também entre os maiores exportadores mundiais. Atualmente, exportamos algodão para 35 países e quase 80% das plantações da fibra são transgênicas.

A primeira variedade de algodão transgênico foi aprovada e produzida nos Estados Unidos, em 1995. Para chegar ao Brasil, a transgenia na cotonicultura levou uma década. Apenas em 2005 a produção de algodão transgênico foi aprovada no País. Esse avanço ocorreu graças à entrada em vigor da nova Lei de Biossegurança (11.105/05), ocorrida no mesmo ano. Essa normativa estabeleceu que a análise dos transgênicos, sob os aspectos vegetal, ambiental e de saúde animal ficaria à cargo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Desde a aprovação da lei 11.105/05, foram aprovados 15 eventos de algodão transgênico no Brasil.

Os países com maior área plantada de algodão transgênico são África do Sul, Argentina, Austrália, China, Estados Unidos, Índia, México, Mianmar e Paquistão.

Os países com a maior área plantada com algodão transgênico é a Índia, com 11,4 milhões de hectares plantados em 2017. Outras nações relevantes no mercado da fibra transgênica incluem Estados Unidos, Paquistão, China, Brasil e Argentina. No País, a área plantada com a fibra geneticamente modificada em 2017 foi de 940 mil hectares.

Apesar de sofrer com o ataque de pragas, principalmente o bicudo-do-algodão, as principais dificuldades da produção hoje são o transporte e a logística. Mesmo com os obstáculos, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o algodão produzido em Roraima é o segundo melhor do mundo, atrás apenas do que é produzido no Egito. Isso ocorre pois a qualidade das terras e a condição climática da região são favoráveis para esse tipo de cultura. Para determinar a qualidade da fibra, são feitos em laboratórios certificados pela Abrapa. São medidas propriedades físicas do produto, como comprimento, cor, resistência, alongamento e impurezas da fibra.

 

Como os maiores produtores de algodão do Brasil estão no Centro-Oeste, foi preciso adaptar as sementes geneticamente modificadas ao clima e às condições do Cerrado. As novas variedades transgênicas desenvolvidas apresentam um alto potencial produtivo.

Algodão colorido é transgênico?

Algodão Colorido

Crédito: Embrapa

O algodão colorido existe há quase 5 mil anos, ou seja, muito antes de existir a tecnologia transgênica. Ele é tão antigo quanto o algodão branco e já foi encontrado em escavações arqueológicas no Paquistão e no Peru.

O algodão colorido possui fibras fracas e curtas que não suportam a fabricação de tecidos. Por isso, pesquisadores utilizaram essa condição para trabalhar em um melhoramento genético. Com a técnica é possível melhorar a qualidade do algodão, ampliando sua resistência e comprimento. Os algodões coloridos nascem nas cores verde, marrom-avermelhado, marrom-claro e marrom-escuro.

A plantação de algodão colorido traz benefícios para o produtor e para o meio ambiente. Além de receber mais pela fibra colorida, o produtor tem menos gastos com a produção porque essa variedade dispensa tingimento. Isso também reduz o gasto de água e de energia que seriam utilizados para tingir e lavar o tecido.

Além do produtor e do meio ambiente, o consumidor também é beneficiado com essa plantação, pois o algodão colorido está livre de qualquer resíduo de tinta que possa causar reações alérgicas.