Os alimentos transgênicos estão presentes na mesa de milhões de pessoas. De queijos a grãos, compõem itens do cardápio diário, do café-da-manhã ao jantar. Além disso, o cultivo deles é responsável por lavouras mais protegidas e rendimento para os agricultores. Conheça mais sobre os alimentos transgênicos, seus benefícios e aplicações.

Alimentos transgênicos

O que são alimentos transgênicos

Os alimentos transgênicos são aqueles que passaram por melhorias genéticas para agregar algum benefício, da adição de nutrientes à otimização da produção agrícola. Isso é feito por meio de técnicas de biotecnologia que inserem no genoma do alimento (uma planta, um fungo, um animal de criação ou um microrganismo) um gene que vem de outra espécie.

O objetivo do desenvolvimento de um alimento transgênico pode variar. A tecnologia pode gerar plantas mais produtivas, nutritivas e resistentes a doenças e pragas. É possível também criar variedades tolerantes a certos tipos de defensivos agrícolas e estresses ambientais causados por mudanças climáticas.


Além de estarem diretamente em nossa alimentação por meio da soja, milho e cana-de-açúcar, os transgênicos também podem estar nos alimentos de maneira indireta. Microrganismos transgênicos são usadas na produção de queijo, por exemplo.

Até a década de 70, a quimosina (enzima que faz com que o leite se solidifique e vire queijo) era extraída do estômago de bezerros alimentados apenas com leite. Graças à transgenia, foi possível, na década seguinte, isolar o gene da quimosina e inseri-lo na levedura do leite.

A partir de então, deixamos de precisar dos bezerros para obter a quimosina. Inclusive, a enzima obtida por microrganismos transgênicos é mais eficiente para a coagulação do leite.


Quais são os alimentos transgênicos produzidos no mundo?

Possivelmente você come transgênicos todos os dias. Isso porque algumas das culturas que servem como ingredientes para diversos alimentos processados e industrializados são transgênicas.

Em todo o mundo, 99% dos transgênicos plantados são soja, milho, algodão e canola. Os subprodutos e derivados dessas culturas, com destaque para a soja e para o milho, são usados para a fabricação de diversos alimentos. O 1% restante é composto por outras culturas como o mamão e a abóbora, que podem ser ser consumidos in natura, e a alfafa, que é usada para alimentar animais de criação.

O mamão transgênico é resistente a vírus e está no mercado norte-americano desde meados da década 90. Cultivado no Havaí, o mamão transgênico responde por 77% (405 hectares) da produção total de mamão local, que é de 526 hectares.

Outro alimento resistente à vírus é a abóbora transgênica Crookneck. Foi plantada em cerca de mil hectares, em 2017, nos Estados Unidos. De casca amarelada e com pescoço, a variedade abóbora transgênica é imune aos vírus mosaico e mosaico amarelo.

Além disso, foi aprovado em 2015, nos Estados Unidos, após testes rigorosos, o salmão transgênico. Trata-se do primeiro animal transgênico liberado para o consumo humano. Esse salmão chega ao tamanho comercial em 18 meses, em vez de 30, como acontece com o salmão convencional. Isso pode ajudar a abastecer o mercado consumidor, cuja demanda é cada vez maior. O Canadá aprovou recentemente o consumo do salmão transgênico.

No Brasil, porém, os únicos alimentos transgênicos são soja, milho e cana-de-açúcar. Isso porque o eucalipto, embora aprovado no País, não é usado para alimentação, e o feijão transgênico desenvolvido pela Embrapa não chegou ao mercado. O algodão, também aprovado no País, não é consumido diretamente, mas sim utilizado na elaboração de óleos alimentares, por exemplo.


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Alimentos transgênicos são seguros?

Os alimentos transgênicos são seguros para o consumo humano e animal e para o meio ambiente. Essa é a conclusão das agências reguladoras e de estudos científicos do mundo, a exemplo destas pesquisas conduzidas por instituições da União Europeia, que têm procedimentos de avaliação rigorosos.

A conclusão dos trabalhos europeus soma-se a diversos outros estudos, como o da Academia de Ciências dos Estados Unidos, que reafirma a segurança dos alimentos transgênicos e seus derivados.

Mesmo assim, ainda é comum encontrar notícias falsas e informações equivocadas sobre os alimentos transgênicos, especialmente na internet. Prova disso é que uma pesquisa, realizada pelo Ibope Conecta, em 2016, revelou que nenhum dos entrevistados soube apontar com exatidão quais eram os alimentos transgênicos cultivados no país, que, na época, eram soja, milho e algodão.


Benefícios dos alimentos transgênicos

20 anos de transgênicosSabe-se que, em vinte anos de uso dos transgênicos para a alimentação, os benefícios são reais, comprovados e contemplam do produtor ao consumidor final, segundo o estudo 20 anos de transgênicos, benefícios ambientais, econômicos e sociais no Brasil.

Do aumento da produtividade, graças à redução de perdas, à diminuição dos impactos ambientais por conta de lavouras mais eficientes, a adoção de transgênicos tem trazido vantagens econômicas, sociais e ambientais para diversos países, principalmente os em desenvolvimento.

Identificando um transgênico na alimentação

A aparência dos alimentos transgênicos disponíveis no mercado não difere da dos convencionais. Entretanto, é possível identificar transgênicos por meio da rotulagem. No Brasil, o decreto 4.680 de 2003 determinou que todo produto que contivesse mais de 1% de ingrediente transgênico em sua composição deveria ser rotulado.

Entretanto, em 2016, o Tribunal Regional Federal acolheu pedido do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) de rotulagem de alimentos que contenham ou sejam produzidos a partir de OGM, independentemente do teor. O TRF-1 considerou o que o direito à informação previsto no código de defesa do consumidor se sobrepõe ao decreto 4.680/2003. Essa é a decisão que está em vigor hoje.

Para reconhecer esses alimentos deve-se estar atento às seguintes indicações:

  1. se há o símbolo de transgênico na embalagem. O símbolo consiste em um triângulo amarelo, com a letra T dentro;
  2. se tem a frase “produto produzido a partir de soja transgênica” ou “contém soja transgênica”;
  3. se aparece o nome da espécie doadora do gene junto à identificação dos ingredientes ou sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado).

Mas não se preocupe: a rotulagem de alimentos transgênicos não tem relação com a segurança desses produtos, mas com o direito à informação. Para que um alimento seja passível de rotulagem ele, obrigatoriamente, passou por todos os testes de biossegurança e, portanto, é absolutamente seguro para alimentação.

Alimentos transgênicos 100% nacionais

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolve pesquisas de novos alimentos transgênicos, como é o caso da alface biofortificada e o feijão resistente a vírus. Veja mais informações:

Alface rico em ácido fólico

Alface é uma das folhas mais consumidas no Brasil, porém tem pouca quantidade de ácido fólico. A planta desenvolvida pela Embrapa é quinze vezes mais rica em ácido fólico do que a alface convencional. Duas folhas pequenas devem prover 80% do necessário de ácido fólico recomendado por dia, que são 400 microgramas.

Um gene da planta Arabidopsis thaliana foi introduzido no DNA da alface. A função desse gene é elevar a produção natural de ácido fólico na hortaliça. Esse alimento transgênico, entretanto, ainda está em fase de pesquisa.


O que é ácido fólico?

O ácido fólico é uma vitamina do complexo B (B9), essencial no desenvolvimento neurológico fetal. Sem ácido fólico não ocorre a síntese de DNA. A falta pode causar má formação no tubo neural de bebês. Em adultos, é essencial para evitar doenças neurológicas e do sistema circulatório.


Feijão

O feijão, grão mais popular brasileiro, é vítima de um vírus chamado mosaico dourado, que pode causar perdas de 100%. Isso causa tremendos impactos na produção, podendo inviabilizar a o plantio em algumas reuniões, causar enormes prejuízos aos agricultores e encarecer o produto disponível nos supermercados.

O feijão transgênico da Embrapa foi desenvolvido por meio de uma técnica chamada de RNA de interferência (RNAi), um mecanismo de silenciamento de genes inspirado em um processo biológico já presente na natureza. Com isso, o gene inserido no feijão não expressa uma nova proteína, mas produz pequenos fragmentos do RNA do vírus, e ativa o sistema imunológico da planta, tornando-a imune ao mosaico dourado.

No Brasil o feijão é produzido basicamente por pequenos produtores, com cerca de 80% da produção e da área cultivada em propriedades com menos de 100 hectares. O feijão transgênico seria uma opção para esses produtores. Porém, embora ele tenha sido aprovado em 2011, jamais foi para o mercado.