A empresa norte americana GTC Bhioterapeutics deve lançar no mercado, em 2007, após aprovação da Agência Européia de Medicina, um medicamento que atua como agente anticoagulante. A grande novidade é que a droga foi produzida à partir do leite de cabras transgênicas, que tiveram seu DNA modificado para incorporar genes humanos.

O remédio tem como público-alvo as pessoas com a deficiência antitrombina hereditária, doença rara que as torna vulneráveis à trombose (desenvolvimento de um coágulo dentro de um vaso sangüíneo, com conseqüente reação inflamatória e possível obstrução). A vantagem dessa nova tecnologia em relação aos métodos convencionais de criação de proteínas no sangue é a de evitar que ocorram infecções por meio do material dos doadores.

No Brasil, instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade de Brasília (UnB), a Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e o Hospital de Apoio de Brasília, por meio de uma parceria, têm realizado pesquisas para a produção de proteínas anti-coagulantes a partir de animais e vegetais transgênicos. Os trabalhos estão sendo realizados em camundongos, mas o objetivo é desenvolver vacas clonadas transgênicas com o gene humano para esse fator.

Além do Fator IX para coagulação, os pesquisadores também desenvolvem plantas de soja com anticorpos contra o câncer de mama, alface com gene para combater a diarréia em crianças e soja com o gene para a produção do GH (hormônio do crescimento).

Outra instituição que entrou na busca por proteínas em animais transgênicos é a Universidade Estadual do Ceará (UECE), que atualmente pesquisa a produção do fator de estimulação de colônias de granulócitos (G-CSF), proteína usada para estimular a produção de glóbulos brancos e recrutar células-tronco da medula óssea. A G-CSF é usada hoje no tratamento de pacientes com o sistema imunológico debilitado.

A técnica utilizada pela universidade consiste em injetar o DNA contendo o gene humano da proteína G-CSF em cabritos ainda em estágio embrionário. Caso o gene tenha sido incorporado pelos embriões, as cabras começarão a produzir a proteína humana no leite e dessa forma a proteina posteriormente poderia ser purificada e usada para produzir o medicamento. A quantidade de proteína produzida é de até dez gramas para cada litro de leite, com isso, um pequeno rebanho pode produzir quantidade suficiente da proteína para suprir a demanda do país.

Fonte: Biotech AHG