antidoto contra veneno de água-vivaQuem não gosta de tomar um bom banho de mar? Quando está quente, é muito comum que as praias do mundo inteiro fiquem abarrotadas de banhistas buscando se refrescar. Isso ocorre em praticamente todos os países que tem litoral e clima convidativos, como é o caso da Austrália. Entretanto, por lá, uma ameaça ronda os frequentadores das praias. Um tipo de água-viva mortal habita as águas quentes do Oceano Índico, a vespa-do-mar, também chamada cubomedusa (Chironex fleckeriBox jellyfish, em inglês).

Segundo o site Animal Diversity Web, mantido pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, a cubomedusa matou cerca de 60 pessoas no último século. A gravidade do ataque depende da quantidade de veneno que ela injeta no organismo da vítima. Por exemplo, se um humano adulto entrar em contato com os seis metros de tentáculos que este animal pode ter, a morte é certa e pode ocorrer em poucos minutos. É por isso que a criatura é considerada uma das mais venenosas do planeta.

Pouco tempo depois da picada, a vítima começa a sentir dor extrema e falta de ar, podendo notar alguns roxos espalhados pelo corpo. O veneno afeta também o sistema cardiovascular e pode resultar em uma parada cardíaca. Apesar da gravidade dos ataques e da relativa frequência com que eles acontecem, até o momento, a ciência ainda não sabe exatamente como o esse veneno letal funciona. Por isso, até hoje não há uma solução perfeita para a dor causada pela picada da cubomedusa tampouco um medicamento que bloqueie de maneira eficiente a ação do veneno.

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature, em abril de 2019, entretanto, pode ajudar a desenvolver métodos mais eficazes de tratamento das picadas dessa água-viva mortal. Por meio do trabalho com células humanas e com a ferramenta de edição genética conhecida como CRISPR, foram identificados alguns genes que podem ser chaves para evitar que as cubomedusas causem morte e dor às pessoas.


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CRISPR no tratamento de picadas de água-viva mortal

Segundo os cientistas responsáveis pela pesquisa, o trabalho começou em 2012, quando eles se perguntaram por que essa água-viva mortal era tão eficiente em causar dor e todos os outros efeitos negativos. Rapidamente foi revelado que esse veneno matava as células de maneira diferente de outras substâncias tóxicas de animais peçonhentos.

Foi então que os pesquisadores tiveram a ideia de usar CRISPR para modificar células humanas em laboratório. Por meio dessa ferramenta de edição genética eles “desligaram” cada gene do DNA humano para descobrir qual deles era necessário para que o veneno da cubomedusa matasse a célula. Se a morte celular fosse causada por um único gene, os cientistas seriam capazes de identificá-lo. Mal comparando, é como se você apagasse todas as luzes de uma casa e fosse acendendo cada interruptor, um a um, para descobrir qual deles iluminaria um cômodo específico.

Foi descoberto que, enquanto uma célula humana não editada morria em alguns minutos quando em contato com o veneno da água-viva mortal, células com genoma modificado conseguiam sobreviver por semanas. Um dos genes que, quando desligado, permitia às células longa sobrevida mesmo em contato com o veneno é o ATP2B1. De posse dessa preciosa informação, os cientistas agora trabalham para desenvolver medicamentos e tratamentos que tenham esses genes como alvo.

Como é a água-viva mortal?

O nome cubomedusa vem do formato quadrado do seu corpo, que é transparente e mede entre 16 e 24 centímetros. Seus diversos tentáculos, que partem dessa estrutura principal, geralmente possuem um metro (mas podem chegar a até seis). Cada um deles possuem milhares de cnidoblastos, células urticantes com um filamento em forma de arpão (nematocisto) que, ao serem disparadas, injetam um potente veneno que é tóxico para os nervos, o coração e as células dos outros animais. Para completar a lista de características pouco usuais desse animal, a água-viva mortal possui 24 olhos, mas não têm cérebro.

As vespas-do-mar são tão venenosas que possuem poucos predadores. Segundo os especialistas da Universidade de Michigan, apenas a tartaruga-verde (Chelonia mydas) é conhecida por se alimentar desses animais, pois tem uma pele grossa que não permite a penetração do veneno. A espécie de medusa, por sua vez, é predadora de diversos tipos de peixes e camarões.

O período em que mais casos de envenenamento ocorre é de outubro a maio, já que, nessa época as cubomedusas se aproximam da costa australiana para sua reprodução.

 

Fonte: Redação CIB