Entre 2007 e 2008, o Brasil aprovou seis variedades de milho geneticamente modificado (GM), permitindo ao agricultor cultivar plantas resistentes a insetos, tolerantes a herbicidas e que possuem as duas características. A chegada do grão transgênico à agricultura brasileira deve incrementar a produção do milho no País e proporcionar vantagens econômicas aos produtores. Entretanto, “a eficiência da tecnologia está diretamente atrelada à adoção, pelos agricultores, de técnicas adequadas de manejo, a exemplo do refúgio”, explica o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Edilson Paiva.

A área de refúgio consiste no plantio de milho não-Bt como parte da área a ser plantada na lavoura transgênica, com o objetivo de preservar a eficiência da tecnologia do milho Bt, mantendo uma população de pragas-alvo sensíveis às proteínas com efeito inseticida do milho Bt.

Segundo o pesquisador da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Ernesto Paterniani, as chances do aparecimento (seleção) e da proliferação de indivíduos resistentes aumenta visivelmente numa cultura homogênea, seja ela transgênica ou convencional. “A resistência de populações de insetos-praga às práticas de controle é uma realidade de todas as plantações de milho, independente da tecnologia aplicada”, afirma. “O refúgio é a maneira mais eficiente para se conservar o desempenho ideal do produto, já que seu uso diminui quase a zero a resistência das pragas”, complementa.

Em concordância com o pesquisador da Esalq/USP, Edilson Paiva, da Embrapa, explica que a evolução natural das espécies permite a algumas pragas-alvo serem selecionadas e sobreviver na plantação GM, desenvolvendo resistência ao produto. “Com o refúgio, essas pragas sobreviventes terão de acasalar com pares ainda suscetíveis aos transgênicos, que habitam a área convencional. “Esse cruzamento fará com que apenas a suscetibilidade seja transmitida às novas gerações, garantindo a eficiência da tecnologia”.

De acordo com ambos os pesquisadores, o plantio do refúgio não é uma prática necessária para garantir o equilíbrio ecossistêmico, uma vez que as variedades de milho transgênico possuem efeito sobre pragas específicas, sem afetar populações de insetos não-alvo. “É importante que fique claro que essa técnica de manejo é utilizada para garantir a eficiência do produto”, diz Paiva. “A recomendação dessa prática aos agricultores não está relacionada a qualquer preocupação ambiental”, explica Paterniani.

Como fazer o refúgio

Conforme recomendações da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), o refúgio deve ser formado por um bloco de milho convencional que se encontre a menos de 800 metros do milho Bt e que ocupe no mínimo 10% da área total de milho plantado.
Ambas as plantações devem estar localizadas na mesma propriedade e serem manejadas pelo mesmo agricultor. Além disso, o milho convencional plantado na área de refúgio deve ter ciclo vegetativo similar ao do grão geneticamente modificado.

Veja mais informações em http://www.planterefugio.com.br

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Fonte: CIB