Segundo o autor, Ingo Potrykus, legislações com exigências injustificadas impedem que as culturas geneticamente modificadas salvem milhões de pessoas.

Um artigo publicado na revista científica Nature, em julho deste ano (2010), traz a análise do diretor do projeto Golden Rice Humanitarian, Ingo Potrykus, sobre a regulamentação mundial dos produtos geneticamente modificados (GM). Potrykus, em parceria com Peter Beyer, foi um dos inventores da tecnologia do arroz dourado (variedade transgênica do grão que produz o nutriente betacaroteno, que será convertido em Vitamina A no organismo humano e que não está presente no arroz convencional). A deficiência de Vitamina A afeta principalmente a visão, podendo levar à cegueira.

Segundo o artigo, as culturas geneticamente modificadas podem salvar milhões de pessoas da fome e da desnutrição, se, antes, puderem se livrar do excesso de regulamentação. “O Arroz Dourado já está pronto desde 1999, mas só deve chegar ao mercado em 2012”, afirma Potrykus. Para o pesquisador, isso se deve à legislação excessivamente rigorosa dos produtos GM. O mesmo não acontece com novas plantas obtidas através de métodos tradicionais de cultivo, embora também tenham seu genoma modificado.

De acordo com a publicação, populações carentes cuja dieta é baseada no arroz poderiam, por meio do consumo do Arroz Dourado, suprir a necessidade de vitamina A e assim reduzir substancialmente as 6.000 mortes por ano devido à deficiência deste nutriente. Nenhuma das variedades convencionais de arroz possui o precursor da vitamina A na parte comestível, dessa maneira, o cultivo convencional não pode aumentá-lo. O Arroz Dourado só foi possível, graças à engenharia genética.

Potrykus afirma que até hoje não houve um só caso de dano ao meio-ambiente e ao ser humano pela tecnologia de engenharia genética vegetal, mesmo nos Estados Unidos, onde a adoção dessa tecnologia é amplamente disseminada. Na opinião dele, as nações que reduzirem a carga regulatória sobre os produtos GM, ganharão tempo e recursos para investir em produtos transgênicos que atendam às necessidades de suas populações. “Talvez assim consigamos reduzir o tempo que essas tecnologias levam para ir do laboratório à mesa da população” diz Potrykus.
O artigo completo está disponível online no especial sobre alimentos produzido pela revista científica Nature.

Fonte: Nature – Julho de 2010