O atraso na autorização de organismos geneticamente modificados (OGM) para uso como ração animal, assim como a política de tolerância zero com a presença de OGMs não-autorizados custou ao setor de pecuária da União Européia (EU) aproximadamente € 2,5 bilhões (US$3,1), de acordo com o relatório enviado para o Presidente da Comissão Européia, Dr. José Manuel Barroso.

Preparado conjuntamente pelo Comitê de Alimentos, Cereais e Oleaginosas da Europa (Coceral), pela Federação Européia de Alimentos e Rações Animais Manufaturados (Fefac) e pela União Européia de Criação de Animais e Carne (UECBV), além da Confederação de Agricultura e Indústrias (AIC), do Reino Unido, o relatório do estudo de caso reconhece que a colheita de 2007, que ficou abaixo da média, foi o problema chave, mas a inabilidade de importação de rações animais em todo o mundo também teve um impacto significativo. As novas variedades de milho GM foram aprovadas e cultivadas em outras partes do mundo, mas ainda não foram aprovadas na UE.

“A tolerância zero a OGMs não aprovados na EU praticamente acabou com a importação da alimentação com base em milho e seus subprodutos. Esses são ingredientes muito valiosos na alimentação, especialmente em um ano de escassez.”, diz Tony Bell, presidente do AIC.

Olhando à frente, o relatório prevê que a situação ficará pior, já que as variedades de soja GM, cultivadas para a multiplicação de sementes em 2008, serão comercializadas em 2009. As novas variedades demonstram benefícios significativos, em especial a maior produtividade, e desta forma, serão rapidamente utilizadas por agricultores na América do Norte e do Sul. É vital que estas novas variedades GM sejam aprovadas pela UE, ou os suprimentos de soja sofrerão uma diminuição drástica.

“Os suprimentos de soja são cruciais para o setor da pecuária da UE,” disse o Sr. Bell. “Há o perigo real de que nosso setor da pecuária seja destruído devido à falta de matéria prima. Os produtos da soja são um componente vital de proteína nas rações animais. Em geral, a UE depende 78% de proteínas vegetais importadas e as opções para substituir a soja são limitadas tanto para a produção doméstica quanto para produtos importados alternativos.”

Encontrar soja não transgênica está se tornando mais e mais difícil. As lavouras na Argentina e nos Estados Unidos já são 95-97% GM, enquanto que o Brasil está alcançando a marca de 80%. Assim, resíduos tecnicamente inevitáveis nestas novas variedades GM serão encontrados na soja não-GM bem como nos suprimentos GM. Sendo assim, comprar soja não-GM não irá ajudar nesta situação difícil.

“Uma política de tolerância zero a eventos GM não autorizados restringiria consideravelmente as importações de soja, pois os transportadores não irão correr riscos,” disse o Sr Bell. “Na realidade, não é apenas uma variedade GM que precisa ser aprovada, há mais de 70 novos eventos no pipeline. Isso está proporcionando novos benefícios para os agricultores e consumidores, como níveis elevados de ômega 3, assim como outros eventos agronômicos, como a resistência à seca.”

Observando o mercado em 2008/2009, o relatório confirma estimativas mais recentes que o setor da pecuária na UE poderá enfrentar uma perda massiva de competitividade. Com o declínio da produção pecuária, as importações crescerão.

“Ironicamente, estas importações alimentariam estes produtos GM ´não-aprovados´,” o Sr Bell enfatiza. “Portanto, a UE precisa de uma visão prática e precisa implantar um limite viável para os eventos GM. Também precisa desenvolver um processo mais rápido para a aprovação de novas variedades GM que estão sendo desenvolvidas em outras partes do mundo.”

Recentemente, o Grupo Consultivo da UE para ‘lavouras de cereais, oleaginosas e proteínas’ concluiu que: “A política de tolerância zero é impossível de ser implantada, e levou a verdadeiras barreiras de importação. Possivelmente, a situação irá piorar uma vez que mais países estão plantando OGMs em todo o mundo, a despeito do processo de aprovação da UE.”

Em setembro, o grupo consultivo adotou uma moção pedindo a criação de um limite viável imediato para a baixa presença de soja RR2 e a criação de um limite viável para eventos GM ainda não autorizados pela UE, devidamente autorizados nos países exportadores.

Fonte: AIC – 14 de outubro de 2008