Durante a conferência em biotecnologia, organizada pela Associação Nacional das Indústrias Biotecnológicas da Austrália (AusBiotech), a presidente executiva internacional do África Harvest Biotech Foundation, Florence Wambugu, discursou a respeito da solidariedade científica. Estimulou países desenvolvidos, como a Austrália, a transferirem seus avanços em ciência e tecnologia, especialmente na área da biotecnologia, a fim de ajudar os países pobres da África a alcançarem a segurança alimentar, a independência econômica e o desenvolvimento rural sustentável.

Existem 800 milhões de pessoas famintas em todo o mundo, sendo que 25% ou 200 milhões estão na África subsaariana. “A África precisa urgentemente de biotecnologia agrícola, incluindo os cultivos transgênicos, para melhorar a produção alimentar”, disse Wambugu.
Wambungu, que é formada na Universidade de Nairóbi e tem mestrado pela Universidade de Dakota do Norte em patologia vegetal e doutorado em virologia de plantas e biotecnologia pela Universidade de Bath na Inglaterra.

Com nove filhos que residem em um pequeno sítio no Quênia, ela sempre se empenhou em trabalhar para melhorar termos nutricionais e de rendimentos em alimentos como banana, mandioca, arroz, batata doce, milho e sorgo, pois compreende que os agricultores africanos precisam de mais ferramentas para lutar contra as doenças das plantas e ultrapassar outros obstáculos para aumentar a produção vegetal.

Recentemente, Wambugu recebeu o prêmio Yara 2008, concedido anualmente pelas Nações Unidas, em reconhecimento às contribuições significativas para a redução da fome e da pobreza na África.

De acordo com ela, a melhor forma de ajudar os pobres está no uso da tecnologia GM em sementes. “Na África, 80% das pessoas plantam e comem alimentos plantados no quintal ou fazenda. Se a tecnologia é colocada nas sementes, torna-se disponível para os agricultores iletrados. Contudo, a tecnologia não é uma solução mágica, não é suficiente sozinha”, disse ela.

“Ao transmitir formação em boas práticas de cultivo e de comercialização inovadora, milhares de agricultores aumentaram seus ganhos de 1 dólar/dia para 4 a 5 dólares/dia”, informou. A executiva está incentivando o governo queniano a promover uma política para o cultivo de banana que irá auferir um máximo de benefícios para os agricultores e ao país.

Em Malauí, 400 mil hectares de banana já foram devastados pelo vírus da banana denominado bunch-top virus, que causa perda de rendimento para cerca de 50 mil pequenos agricultores. Este mesmo vírus já devastou pomares de banana em Queensland (Austrália) em 1930 e foi eliminado depois. Assim, Wanbugu acredita que a tecnologia australiana para controlar o vírus pode ajudar Malauí e outros países africanos.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Queensland, apoiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, vai dedicar os próximos três anos à identificação e ao diagnóstico dos diferentes vírus que infectam o Leste Africano, com o objetivo de difundir variedades de bananas livres da doença e que apresentam elevado conteúdo de micronutrientes.

Fonte: Agbios21 de novembro de 2008