A recente decisão do governo francês de suspender o plantio de uma variedade de milho resistente a insetos-pragas no país repercutiu de forma negativa entre as autoridades da Espanha, maior produtor de híbridos com a tecnologia dentro do bloco europeu e importador do grão produzido na França.

De acordo com o diretor-executivo da Agência Espanhola de Segurança Alimentar (AESAN) – órgão do Ministério da Saúde responsável pela regulamentação dos alimentos, José Ignacio Arranz, a decisão da França é de cunho político e não ambiental, conforme anunciado oficialmente. Já o Ministro da Agricultura da Espanha, Josep Puxeu, considerou a posição francesa unilateral, uma vez que afeta os países vizinhos que tinham na França um importante mercado importador de milho, e agora passarão a comprar o grão de terceiros.

As duas autoridades espanholas mencionaram a importância do aval da Autoridade Européia de Segurança Alimentar (EFSA), principal órgão regulador em segurança alimentar do bloco europeu, ao milho transgênico. Em 2005, a tecnologia recebeu avaliação favorável do comitê, sendo considerado tão seguro para a alimentação humana e animal quanto seus correspondentes convencionais. Nesse sentido, o diretor da AESAN afirmou também que o relatório da Alta Autoridade para os Organismos Geneticamente Modificados, divulgado na última semana, no qual o governo francês se baseou para emitir a suspensão, não traz novidades que contradizem com a decisão da EFSA.

A Espanha é hoje o principal produtor de milho geneticamente modificado na União Européia. Só em 2007, o país cultivou cerca de 75 mil hectares de milho geneticamente modificado resistente a insetos-pragas, cerca de 40% a mais que no ano anterior (53,66 mil hectares).

Fonte: Elpais – 17 de janeiro de 2008