A partir de agosto deste ano a Argentina contará com mais tecnologia para enfrentar os desafios da produção de alimentos. Segundo resolução publicada no dia 06 de agosto pela Secretaria de Alimentos e Bioeconomia, vinculada do Ministério da Agroindústria do país vizinho, está autorizada a comercialização de sementes, produtos e subprodutos de uma batata resistente a vírus. O novo tubérculo é geneticamente modificado para ser imune ao vírus Y da batata, comum em regiões de cultivo argentinas, a exemplo de Balcare, Mar del Plata e Miramar. Plantas infectadas podem causar perdas de até 70% da colheita.

A notícia foi recebida com entusiasmo pelo setor produtivo da Argentina, principalmente por se tratar de um desenvolvimento biotecnológico local. Os responsáveis pela batata resistente a vírus são os cientistas do Instituto de Pesquisa em Engenharia Genética e Biotecnologia, vinculado ao Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), uma autarquia do Governo Federal. A técnica usada para obter o Organismo Geneticamente Modificada (OGM) foi RNA de interferência. O processo regulatório, por sua vez, foi conduzido pela empresa Tecnoplant, do grupo Sidus, que também é argentino.


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Batata resistente a vírus e outros OGM a caminho

Em entrevista ao jornal de Buenos Aires La Nación, o secretário de Alimentos e Bioecnomia, Andrés Murchison, afirmou que o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) concluiu toda a avaliação biossegurança do cultivo, incluindo toxicidade, alergenicidade e aspectos nutricionais. Segundo ele, novos produtos de biotecnologia agrícola ainda estão por vir. “Seguiremos otimizando os processos regulatórios para que até o fim de 2018 se concretizem mais aprovações e que esses produtos se tornem o motor de nossa bioeconomia”, destacou.

De fato, a Argentina tem se esforçado em disponibilizar a seus agricultores inovações desenvolvidas por meio da biotecnologia. Em junho deste ano o país já havia aprovado uma alfafa transgênica. Nossos vizinhos seguiram os passos dos Estados Unidos e do Canadá, que já adotam essa tecnologia agrícola há alguns anos. Nesse contexto,  Murchison revelou que além da batata, há eventos de soja, milho e algodão geneticamente modificados sendo analisados. As características inseridas vão desde a tradicional tolerância a herbicidas até a inovadora resistência à seca. A batata resistente a vírus permite redução de custos de manejo e um produto final de melhor qualidade.

O vírus Y da batata

O vírus Y da batata (PVY, na sigla em inglês) é o segundo na lista dos vírus que mais prejudicam os cultivos do tubérculo. O primeiro é o vírus do enrolamento da folha da batata (PLRV). O PVY é transmitido por pulgões e também pelo uso de máquinas e ferramentas que tiveram contato com plantas contaminadas.  O vírus pode ser transportado a grandes distâncias por pulgões com asas e o inseto pode adquiri-lo e transmiti-lo em poucos segundos.

Os sintomas variam muito, mas geralmente incluem rugosidade, aglomeração, folhas retorcidas, plantas muito pequenas (nanismo) e necrose de algumas partes do vegetal. Plantações menos sensíveis podem estar infectadas sem apresentar sintomas, o que dificulta ainda mais o controle.

Fonte: La Nación, Governo da Argentina, 13 de agosto de 2018