Em novembro de 1999, introduziu-se a bioinformática no Brasil, por meio do do sequenciamento completo do DNA da bactéria Xylella fastidiosa, patógeno que causava prejuízos à cultura de cítricos. A dupla João Meidanis e João Setúbal utilizou softwares de sequenciamento genético com base na internet.

Uma década depois do projeto de inovações tecnológicas, a dupla de pioneiros, que na época coordenava o Laboratório de Bioinformática (LBI) do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ganhou o prêmio Distinguished Innovators, cujo objetivo é reconhecer a contribuição de indivíduos e organizações a fim trazer benefícios econômicos e sociais a seus países.

Meidanis é atualmente professor da Unicamp e presidente de uma empresa privada. Setúbal é professor do Instituto de Bioinformática da Virgínia e do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), nos Estados Unidos.

 “A equipe envolvida com o projeto tinha quase 200 cientistas e 34 centros de pesquisa. Logo no início percebemos que seria produzido um volume imenso de dados. Na época, a maioria dos laboratórios tinha conexão discada à internet, ou simplesmente não tinha acesso. Mas achávamos que o futuro estava a nosso favor e, mais cedo ou mais tarde, todos teriam acesso rápido à web. Essa decisão se mostrou muito feliz”, disse o professor.

Meidanis entrou em contato com a bioinformática quando estudou na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, no início dos anos 90, mas o conceito ainda estava em franco desenvolvimento.

“Fiquei imediatamente interessado, porque, além de perceber que se tratava de uma tendência que seria incontornável no futuro, vi na abordagem da bioinformática a oportunidade de trabalhar com a biologia molecular, que me atraía por ser a parte exata da biologia”, disse.

Trabalho em rede

Em 1992, a fim de disseminar a bioinformática no Brasil, a dupla lançou a obra Introdução à Biologia Computacional, que segundo eles, foi o terceiro livro lançado no mundo todo a respeito desse tema.

“Publicamos o livro na tentativa de angariar alunos e divulgar o tema, mas era muito difícil avançar, pois se tratava de uma área nova demais e os estudantes ainda achavam aquilo tudo muito abstrato. Com o projeto Genoma Xylella vimos a primeira oportunidade para que a bioinformática mostrasse definitivamente o seu potencial. Assim que os biólogos ficaram sabendo que precisariam da informática, lembraram de nós”, afirmou.

João Meidanis conta que os softwares desenvolvidos pela dupla na época são provavelmente utilizados por todos os que sequenciam genoma no Brasil atualmente.

Após a colaboração do projeto da Xylella fastidiosa, várias outras iniciativas foram realizadas no País, como o sequenciamento do verme responsável pela esquistossomose no projeto Schistosoma mansoni.

Fonte: FAPESP – 09 de abril de 2009