Um novo estudo sobre impactos dos transgênicos nas lavouras brasileiras avaliou os potenciais benefícios da biotecnologia para o meio ambiente e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro nos próximos 10 anos. De acordo com o levantamento, realizado pela consultoria Céleres para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), a redução do uso de água decorrente da menor necessidade de aplicações de defensivos e de variedades mais resistentes a pragas, por exemplo, pode chegar a 149 bilhões de litros. É um volume suficiente para abastecer 3,4 milhões de pessoas.

Em sua quinta atualização, o estudo – que é realizado anualmente – aponta também que a redução no número de aplicações de defensivos nas lavouras, no mesmo período, equivalerá a 3,8 milhões de toneladas de CO2 que não serão emitidas na atmosfera. A economia de combustível também é significativa: equivalente ao necessário para abastecer 516 mil camionetes (o tipo de veículo mais comum nas lavouras).

“A agricultura gera impacto ambiental, e é importante poder mensurar no médio e longo prazos como a biotecnologia pode ajudar a reduzir os efeitos e tornar o agronegócio cada vez mais sustentável”, analisa Paula Carneiro, diretora da Céleres Ambiental e coordenadora do estudo socioambiental.

Clique aqui para ver o infográfico: http://www.abrasem.com.br/downloads/materias/infografico2012.jpg

Benefícios econômicos

O estudo traz ainda um novo e importante dado: a cada R$ 1 investido em biotecnologia na saca de sementes em 2011, o produtor obteve, em média, R$ 2,61 de retorno adicional na produção de milho, R$ 1,59 na de soja e R$ 3,59 na de algodão.

“Pela primeira vez conseguimos calcular o ganho sobre a margem operacional da produção. Com isso, foi possível trazer os benefícios econômicos para uma realidade bem mais próxima do agricultor brasileiro”, explica Anderson Galvão, sócio-diretor da Céleres e coordenador do estudo econômico.

A análise da Céleres mostra que, em 10 anos, a biotecnologia renderá um acumulado de US$ 124 bilhões para a agricultura brasileira. “Mas ainda mais importante do que isso é mostrar que 84% desse valor ficará nos bolsos dos produtores brasileiros”, observa o presidente da ABRASEM, Narciso Barison Neto. “Podemos nos tornar mais competitivos, produzir mais, reduzir o impacto ambiental e, ainda assim, ganhar mais dinheiro”.

Galvão, da Céleres, explica que, desse total de US$ 124 bilhões, 58% virá do milho, 34% da soja e 8% do algodão. “De fato, o milho GM no Brasil é talvez o exemplo mais bem sucedido de adoção de biotecnologia no mundo. O cereal precisou de apenas quatro safras para atingir o mesmo nível de adoção que a soja, que demorou 10 anos para que três quartos da área fossem cultivados com transgênicos”. Segundo ele, a área global com biotecnologia cresceu 10% em 2010, mas tem ritmo mais acelerado no Brasil.

Os resultados do estudo se baseiam em pesquisa de campo e entrevista com mais de 360 produtores de soja, milho e algodão espalhados pelo País. Essas são as três culturas com eventos GM aprovados no Brasil que já estão disponíveis no mercado.

Confira o estudo sobre benefícios econômicos: http://www.abrasem.com.br/downloads/materias/BiotecEconomico.pdf

Leia a íntegra do estudo sobre benefícios socioambientais: http://www.abrasem.com.br/downloads/materias/BiotecAmbiental.pdf

Fonte: Céleres e Abrasem