Uma nova mandioca pode transformar o Brasil em produtor de um valioso insumo industrial e agregar valor à produção dessa raiz nativa. O amido ceroso, ou waxy, é procurado pela indústria alimentícia pois é matéria-prima para composição de pratos congelados e outros produtos. O desenvolvimento de uma variedade cerosa, que se encontra em andamento na Embrapa, coloca o País na vanguarda da corrida mundial para desenvolver uma mandioca waxy que possa ser produzida em larga escala. Até agora, nenhum país conseguiu desenvolver essa raiz.

Por meio de técnicas de biologia molecular, o Centro Internacional para Agricultura Tropical (Ciat), sediado na Colômbia, identificou o gene da mandioca responsável pelo amido ceroso. A Embrapa foi a única instituição brasileira a receber esse material e agora procura incorporar a produção do carboidrato a uma variedade nacional por meio do melhoramento genético convencional (cruzamentos entre plantas ou animais da mesma espécie). Assim, pretende-se aliar a performance do material brasileiro, já adaptado às condições nacionais, à produção do amido waxy.

O waxy é diferente do amido comum (também conhecido por goma ou fécula) e é considerado o produto da mandioca com maior valor agregado por ser utilizado em diversos tipos de indústria. Para a diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, a identificação do gene também abre caminho para o desenvolvimento de transgênicos. “Inserir o gene em uma outra espécie pode ser uma alternativa se o organismo hospedeiro for de mais fácil cultivo, por exemplo”, afirma Brondani.

Mandioca x Milho

As perspectivas de uso do amido waxy de mandioca são promissoras, uma vez que ele tem propriedades diferentes do encontrado no milho, um dos seus principais concorrentes. O de mandioca apresentou-se 50% mais resistente ao congelamento, mais solúvel, tem maior absorção de água e perda de água insignificante após refrigeração e congelamento. Essas características indicam capacidade de substituir outros amidos em algumas aplicações industriais.

Esse carboidrato é bem conhecido dos praticantes de atividade física, uma vez que o waxy maize (ou amido de milho ceroso) é bastante indicado por nutricionistas para repor a energia depois dos exercícios. A mandioca é uma importante fonte de carboidratos complexos e conta ainda com a vantagem de ter uma quantidade maior de carboidratos em relação a outros alimentos, como batata-doce, inhame, aveia, pão integral e macarrão integral. Ao contrário dos carboidratos simples, o carboidrato complexo é transformado em energia aos poucos, tornando a digestão mais lenta e regulando o nível de glicose estável no sangue.

Fonte: Embrapa, 23 de janeiro de 2018