Pela primeira vez, em 2009, o País ultrapassa a Argentina e fica atrás apenas dos EUA no ranking mundial de cultivos GM, em um universo de 25 países produtores

O Brasil plantou 21,4 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas (GM) ou transgênicas em 2009, um crescimento de 35,4% em relação a 2008 (equivalente a 5,6 milhões de hectares). De acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), que divulgou hoje o seu relatório anual sobre a adoção mundial, trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos, especialmente em razão da rápida adoção do milho GM.

O ótimo desempenho levou o País, pela primeira vez, ao segundo lugar no ranking mundial de transgênicos, ultrapassando a Argentina (21,3 milhões) e ficando atrás apenas dos Estados Unidos (64 milhões).

Área Mundial de Culturas GM em 2009: 5 maiores produtores (milhões de ha)

Posição País Área (em milhões de hectares) Culturas GM
1 EUA 64,0 Soja, milho, algodão, canola, abóbora, papaia, alfafa, beterraba
2 Brasil 21,4 Soja, milho, algodão
3 Argentina 21,3 Soja, milho, algodão
4 Índia 8,4 Algodão
5 Canadá 8,2 Canola, milho, soja, beterraba

Fonte: ISAAA, 2009

    • Com isso, o Brasil plantou 16% dos 134 milhões de hectares de transgênicos cultivados em 2009 no mundo.
    • A biotecnologia na agricultura já é adotada nos principais Estados produtores brasileiros, entre eles: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.
    • Os 21,4 milhões de hectares de culturas GM no Brasil correspondem a:

Soja16,2 milhões de hectares (71%) *

Milho5,0 milhões de hectares (31%) *

Algodão0,15 milhão de hectares (16%) *

*Valores aproximados

SOJA

      1. Dos 21,4 milhões de hectares de culturas GM cultivadas no Brasil em 2009, 16,2 milhões de hectares foram plantados com soja tolerante a herbicida pelo sétimo ano consecutivo, ultrapassando os 14,2 milhões de hectares em 2008.
      2. O índice de adoção bateu um recorde de 70,9%, maior que os 65% registrados em 2008, com benefício para 150 mil agricultores.

MILHO

      1. Em 2009, o Brasil plantou 5 milhões de hectares de milho Bt (resistente a insetos) em ambas as safras (verão e inverno).
      2. A área de milho Bt cresceu 3,7 milhões de hectares, o equivalente a aproximadamente 400% sobre 2008, e foi de longe o maior aumento absoluto para qualquer cultura GM em qualquer país em 2009.
      3. O índice de adoção do milho foi de 30,5%.

ALGODÃO

      1. Foram cultivados 145 mil hectares de algodão GM em 2009, dos quais 116 mil hectares foram de algodão Bt (resistente a insetos) e 29 mil hectares de algodão tolerante a herbicida.

Cenário da adoção da biotecnologia no mundo

Em 2009, 25 países plantaram 134 milhões de hectares em 2009, o que corresponde a 9 milhões de hectares a mais do que em 2008. Ao todo, 14 milhões de agricultores grandes e pequenos adotaram cultivos transgênicos em suas lavouras.

Os oito principais países no ranking de maiores produtores foram: Estados Unidos (64 milhões ha.), Brasil (21,4 milhões ha.), Argentina (21,3 milhões ha.), Índia (8,4 milhões ha.), Canadá (8,2 milhões ha.), China (3,7 milhões ha.), Paraguai (2,2 milhões ha.) e África do Sul (2,1 milhões ha.). Os países restantes incluem: Uruguai, Bolívia, Filipinas, Austrália, Burquina Fasso, Espanha, México, Chile, Colômbia, Honduras, República Tcheca, Portugal, Romênia, Polônia, Costa Rica, Egito e Eslováquia.

“Conforme previsto nos relatórios anteriores do ISAAA, os países em desenvolvimento continuaram a comandar uma participação crescente nos plantios mundiais, com o Brasil exibindo claramente o seu potencial em se tornar o futuro motor propulsor de crescimento na América Latina”, avalia Clive James, presidente e fundador da ISAAA.

Destaques

Américas

Brasil – O Brasil plantou 21,4 milhões de hectares com culturas GM em 2009, um crescimento de 35,4% em relação a 2008 (equivalente a 5,6 milhões de hectares). O ótimo desempenho levou o País, pela primeira vez, ao segundo lugar no ranking mundial de transgênicos, ultrapassando a Argentina e ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

EUA – Os Estados Unidos se mantêm no topo do ranking mundial com 64 milhões de hectares de culturas transgênicas, sendo que 41% da área total são relativos a cultivos GM com mais de uma característica.

Costa Rica – A Costa Rica registrou culturas transgênicas pela primeira vez em 2009, exclusivamente para o mercado de exportação de sementes (soja e algodão);

África

Burkina Fasso – A área de algodão transgênico de Burkina Fasso saltou de 8.500 hectares para 115 mil hectares, ou de 2% a 29% da área de algodão total do país, o maior crescimento percentual registrado;

África do Sul – Confirmando o crescimento contínuo na África, a África do Sul registrou significativos 17% de aumento na adoção, chegando a 2,1 milhões de hectares (soja,milho e algodão)

Egito – O país registrou um aumento de 15% na produção de milho Bt, totalizando 1 mil hectares;

Ásia

Índia – O algodão Bt revolucionou a produção de algodão no país com 5,6 milhões de agricultores plantando 8,4 milhões de hectares em 2009, equivalente a uma taxa de adoção recorde de 87%. O benefício econômico acumulado para os plantadores de algodão Bt na Índia, para o período de 2002 a 2008, foi de US$5,1 bilhões;

Japão – O Japão começou a comercialização de uma variedade de rosa azul geneticamente modificada;

China – A China plantou em 2009 cerca de 3,7 milhões de hectares de algodão, tomate, álamo, papaia e pimentão. O país aprovou, em novembro de 2009, o arroz Bt e o milho com fitase. As aprovações são inéditas e terão impacto muito positivo, não apenas na alimentação das populações da China e da Ásia, mas em todo o mundo;

Europa

Seis países europeus plantaram 94.750 hectares de culturas transgênicas em 2009, menos do que os sete países e 107.719 hectares em 2008, pois a Alemanha suspendeu o plantio. A Espanha plantou 80% de todo o milho Bt na UE em 2009 e manteve a taxa de adoção recorde de 22% do ano anterior.

Impactos econômicos e ambientais

De acordo com o ISAAA, as avaliações de impacto mundial das culturas GM indicam que, no período de 1996 a 2008, os ganhos econômicos de US$ 51,9 bilhões foram gerados em razão dos custos reduzidos de produção (50%), e dos ganhos de rendimento (50%) de 167 milhões de toneladas. Teriam sido exigidos 62,6 milhões de hectares adicionais para produzir a mesma quantidade, não tivessem sido empregadas as culturas GM.

Durante o mesmo período, de 1996 a 2008, a redução de defensivos foi avaliada em 268 milhões de kg de ingredientes ativos, uma economia de 6,9%. Só em 2008, a redução da emissão de CO2 na atmosfera com as culturas GM é estimada em 14,4 bilhões de kg de CO2, equivalente à remoção de 7 milhões de carros das ruas (Brookes and Barfoot, 2010, a ser publicado).