O 1º Fórum e Salão de Alimento Inteligente dedicou o dia de ontem, 18 de novembro, para discutir a biotecnologia e o futuro da alimentação, com temas como meio ambiente, saúde, rotulagem, legislação e biossegurança. O evento pioneiro faz parte da programação do Brasiltec 2004, que está sendo realizado em São Paulo até sábado, apontado como o maior espaço de exposições tecnológicas da América Latina.

Airton Vialta, diretor técnico do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), fez a abertura das apresentações explicando ao público o que é biotecnologia e as suas aplicações na sociedade moderna. E fez referências quanto à Lei de Biossegurança em discussão no Congresso Nacional. “Em favor do Brasil, estou torcendo para que a questão seja devidamente resolvida o quanto antes”, disse.

Na seqüência, Alda Lerayer, também diretora do Ital, mostrou aos congressistas exatamente como a biotecnologia está sendo aplicada na indústria alimentícia. “A primeira geração das plantas geneticamente modificadas visava aumentar a produtividade das colheitas. Fizeram isso desenvolvendo variedades resistes a pragas do campo, herbicidas e agrotóxicos, o que reduz o uso de agentes químicos nas lavouras e reduz a possibilidade de contaminação da água”, explicou. Como exemplo, ela citou os casos mais famosos da soja, milho e algodão Bt, que carregam genes da bactéria Bacillus thuringiensis capazes de criar toxinas letais aos insetos que depredam as plantas.

O destaque de sua apresentação foi revelar que, embora seja calorosa a discussão com relação aos alimentos GM no Brasil atual (principalmente a soja), quase 95% dos produtos disponíveis aos consumidores carregam há anos substâncias produzidas por microrganismos geneticamente melhorados. “Esses microrganismos está nos produtos lácteos, na levedura da cerveja e do chope, nas conservas vegetais, no vinho”, afirmou. “Já em 1985 foi criada a primeira bactéria probiótica GM, resistente aos vírus que a ataca e a impede de coagular o leite na produção de queijo”, disse.

Segundo Alda, o mercado onde enzinas e substâncias produzidas por microrganismos GM atuam deve movimentar US$ 250 bilhões em 2010. “Por isso a biotecnologia é fundamental para a sociedade”, atestou. “A produção de aminoácidos cresce de 10% a 20% ao ano, inclusive motivada pelo uso de aditivos suplementares nutricionais em ração animal”, completou a pesquisadora.