brocadacanaAtingindo praticamente toda a área cultivada com cana-de-açúcar, a broca da cana é a principal praga dos canaviais brasileiros. Os prejuízos causados por esse inseto, entretanto, não estão restritos ao campo. As perdas se estendem também à indústria e afetam a qualidade do produto final. Segundo análise feita pela Fermentec, empresa especializada em eficiência industrial, as galerias abertas pela broca no colmo da cana são a porta de entrada para que microrganismos, como fungos e bactérias, contaminem a planta e, consequentemente, comprometam o açúcar produzido a partir dela. A contaminação reduz a pureza da cana e prejudica a formação de compostos necessários para manter a qualidade do açúcar. Além disso, o custo da cana infestada por broca é maior, principalmente devido à necessidade do uso de insumos.

Estimativas da Fermentec apontam que, com 1% de índice de infestação de broca, o rendimento de açúcar será de 3,63 kg menor por tonelada de cana e o de etanol, 1,91 litros. Se aplicados em uma usina cuja moagem é de dois milhões de toneladas de cana por safra, esses valores chegam a dizimar 7.26 ton de açúcar e 3.82 milhões de litros de etanol por ciclo. A média de intensidade de infestação de broca mostra variações de safra a safra nas regiões produtoras, mas pode chegar a 3,5%. Esta intensidade de infestação é residual, ou seja, persiste mesmo após aplicados os métodos atuais de controle de broca.

Mesmo com as atuais condições de controle, as perdas causadas pela broca, quando levamos em consideração a escala de todo o mercado, alcançam a casa dos bilhões de reais. Para contribuir no combate a esse inseto, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) está analisando uma cana transgênica resistente a essa praga. Se aprovada, a tecnologia vai conferir à planta proteção contra o ataque da broca, facilitar a produção de açúcar de qualidade e fortalecer a indústria sucroenergética brasileira.

Fonte: CIB, dezembro de 2016