Uma equipe de pesquisadores dos EUA isolou células-tronco de pele humana, cultivou-as em laboratório e as induziu a crescer como células de gordura, músculos e ossos, segundo um artigo publicado nesta quarta-feira na revista Stem Cells and Development. Os cientistas acham que as células-tronco com potencial para se desenvolver como diferentes tecidos poderiam ser usadas para tratar e curar doenças como os males de Alzheimer e Parkinson.

O estudo, realizado por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Wake Forest e do Hospital Batista da Carolina do Norte, é um dos primeiros a demonstrar a capacidade de uma única célula-tronco de se transformar em vários tipos de tecido.

Anthony Atala, diretor de Medicina Regenerativa no Instituto Wake Forest e chefe da equipe de pesquisa, disse que “essas células devem representar um recurso valioso para recondicionar tecidos e órgãos”. Como as células desse estudo foram coletadas da própria pele do paciente adulto, “não deve haver problemas de rejeição de tecidos ou órgãos”, acrescentou.

Os pesquisadores cultivaram células mesenquimais – um tipo de célula-tronco que normalmente se encontra na medula óssea – e usaram mostras de tecido de 15 doadores. Os cientistas conseguiram isolar células-tronco individuais, que depois foram cultivadas em laboratório. Foram aplicadas sobre elas hormônios e fatores de crescimento, para induzi-las a se transformar em células de gordura, músculo e ossos.

Quando as células diferenciadas foram “cultivadas” em moldes tridimensionais e implantadas em ratos, elas mantiveram as características correspondentes ao tecido ósseo, muscular e adiposo.

“Nosso estudo mostra que é possível obter células-tronco mediante uma simples biópsia de pele. E delas podem ser obtidos três tecidos vitais”, disse Shay Soker, professor de cirurgia em Wake Forest.

A pesquisa de células-tronco é muito polêmica nos EUA, onde os cientistas acreditam que as células-tronco com maior potencial são as de embriões. Cientistas e políticos que se opõem a esse tipo de estudo consideram imoral a “coleta de embriões” para uso na medicina.

FONTE: Agência EFE e Terra