Vem aí uma parceria que pretende melhorar a vida dos africanos que sofrem de malária. A companhia Dafra Pharma Internacional NV, com auxílio da Plant Research International, pretende iniciar uma nova linha de pesquisa para otimizar o método de produção de artemisinina (ácido dihidroartemisinico) via plantas de chicória geneticamente modificadas. A artemisinina é a matéria-prima usada nos TCAs (Terapias Combinadas com Artemisinina) e que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sua última geração é a mais efetiva no tratamento antimalária. A parceria entre as duas empresas deve resultar em uma produção em grande escala da artemisinina sob circunstâncias controláveis, além de custos bem reduzidos. Segundo a Dafra Pharma, o preço da matéria-prima deve ser tão baixo que os tratamentos dos pacientes com malária não custarão mais que meio dólar.
A doença, que nos países africanos chega a ser mais letal que o HIV/Aids, é perfeitamente tratável, sendo que o diagnóstico precoce e tratamentos com os TCA´s podem curar o paciente. O problema é que os TCA´s são muito caros para os pacientes africanos que acabam tendo que tratar a doença com drogas menos eficientes, como a cloroquina.

Uma equipe de cientistas conseguiu mostrar que as enzimas da chicória envolvidas na produção de compostos amargos também são capazes de executar outras reações. E é por meio de uma mudança na biossíntese destes compostos amargos que os cientistas pretendem produzir o precursor químico para a artemisinina nas raízes da chicória.

A pesquisa funcionará em paralelo à outra, realizada pelo professor Jay Keasling (da Universidade de Berkeley, Califórnia, EUA). O professor Keasling – que há muito trabalha com a substância – já fez as primeiras etapas da produção biossintética de um precursor do ácido usando microrganismos.
Para livrar a África da malária – o slogan do Dia Internacional contra Malária em 2007 – serão necessários cerca de 400 milhões de tratamentos por o ano.

De acordo com o OMS são relatados de 300 a 500 milhões de casos de malária anualmente em todo o mundo. Todo ano, a doença causa a morte de cerca 1,5 a 2 milhões de pessoas, sendo que 90% destas mortes ocorrem na África – sendo os maiores riscos para mulheres grávidas (10000 por ano) e crianças pequenas (3000 por dia).

Fonte: Genetically modified chicory brings hope to African malaria patients. Plant Research International, 8 maio de 2007. A matéria pode ser vista na íntegra no endereço:www.pri.wur.nl/ UK/newsagenda /news/ Genetically_ modified_chicory _brings_hope _to_African_malaria _patients.htm